quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Para Justiça, Conmebol só pode proibir Corinthians de vender novos ingressos

Para o juiz Antonio Carlos de Figueiredo Negreiros, da 7ª Vara Cível de São Paulo, a Conmebol só pode punir o Corinthians proibindo a venda de novos ingressos para Libertadores. Fechar os portões do Pacaembu em jogos que já tiveram ingressos vendidos é irregular, em seu entendimento. Foi assim que fundamentou sua decisão de conceder liminar a torcedores para assistirem à partida do clube contra o Millonarios. Ele alega que a Confederação Sul-Americana puniu os consumidores. Deveria ter castigado só o time e os responsáveis pela tragédia em Oruro. A Conmebol não tinha o direito de rasgar contratos celebrados com o consumidor para repreender o Corinthians, segundo o juiz. Sem querer, as torcidas organizadas também ajudaram os torcedores a entrarem no estádio. O grupo tivera uma liminar negada sob a alegação de que a Polícia Militar não poderia armar um esquema de segurança só para a proteção deles. Havia risco de tumulto quando os torcedores que se aglomerariam em volta do Pacaembu percebessem a entrada deles. Porém, a decisão foi revista com a informação de que os líderes das organizadas esvaziaram o abraço ao Pacaembu. E que a PM já teria que proteger as pessoas autorizadas pela Conmebol a entrar. Abaixo, decisão que permitiu a entrada dos torcedores. Juiz(a) de Direito: Dr(a). Antonio Carlos de FigueiredoNegreiros DECISÃO Vistos. Novos fatos alteram substancialmente o risco à segurança que justificou a decisão de fl. 17. Primeiro, a informação divulgada pela imprensa de que o estádio não estará totalmente vazio, uma vez que será permitido o acesso da impressa e de “convidados” da organizadora do Torneio e da Federação, o que faz presumir que um esquema de segurança será montado para viabilizar o acesso de algumas pessoas ao estádio (fonte: Portal Terra). Segundo, a declaração dos representantes de Torcidas Organizadas de que pretendem acatar a súplica da diretoria do Corinthians para que não compareçam ao local. Superado, assim, o risco inicialmente vislumbrado para a efetividade da medida, passo a apreciar a postulada tutela antecipada. É Inquestionável que o ingresso adquirido pelo consumidor vincula a Organizadora do evento (art. 48 do CDC). Em tese, portanto, o consumidor teria que se conformar com a frustração do contrato exclusivamente na hipótese de cancelamento do evento ou por motivo de força maior. A punição preventiva do clube para jogar sem a presença da torcida, em um Juízo de cognição sumária, não caracteriza um motivo plausível para a Organizadora do Torneio rasgar os contratos que celebrou com os torcedores que adquiriram por antecipação os ingressos. Assim, a punição aplicada após a compra do ingresso pelos autores, em tese, não pode afetar o seu direito adquirido de comparecimento ao espetáculo que irá se realizar, notadamente porque a própria organizadora do evento permite a assistência a seus convidados. Saliente-se que a negativa de presença de torcida não tem qualquer relação com segurança do estádio do Pacaembu ou do espetáculo em si, o que torna incompreensível o motivo porque a ré pretende punir os consumidores que já haviam adquirido seus ingressos ao invés de estabelecer uma sanção exclusivamente ao clube (negativa de venda de novos ingressos) e aos responsáveis pela atitude que violou seu regulamento. Os adquirentes de ingressos para a partida não estão sujeitos à medida potestativa da Organizadora do Torneio que simplesmente ignora o contrato anteriormente celebrado, com o propósito de assim aplicar uma reprimenda a um dos clubes envolvidos no certame. Em suma, considerando que o evento será realizado, que os ingressos adquiridos pelos autores lhes asseguram o direito de assistir a partida e configuram prova o bastante para embasar a tutela específica de que trata o art. 84, § 1º do CDC, CONCEDO a ANTECIPAÇÃO de TUTELA para ASSEGURAR aos autores, mediante apresentação dos ingressos previamente adquiridos, o direito de ingressar no Estádio e assistir à partida que será realizada hoje (27/02/2013) no Estádio do Pacaembú, evento marcado para às 21h30min, expedindo-se ofício para conhecimento do teor da presente decisão ao SPORT CLUBE CORINTHIANS PAULISTA (mandante da partida), SECRETARIA DA SEGURANÇA PÚLBICA (oficial responsável pela segurança do evento), SECRETARIA DOS ESPORTES DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO (responsável pelo Estádio) e REPRESENTANTE da Commenbol. Providenciem os autores a impressão e a retirada dos ofícios. Sem prejuízo, cite-se a ré com as advertências de estilo. Int. São Paulo, 27/2/2013. Abaixo, a decisão anterior, que negava a liminar. Juiz(a) de Direito: Dr(a). Antonio Carlos de Figueiredo Negreiros DECISÃO Vistos. Pretendem os autores seja resguardado o direito de assistirem à partida de futebol que será realizada em 27/02/2013 entre Corinthians e Milionários, uma vez que adquiriram os respectivos ingressos com antecedência à determinação da ré que impediu a presença de torcida durante a partida. A questão sobre a eficácia da penalidade administrativa imposta pela organizadora do evento que restringe preventivamente direito assegurado ao consumidor é, de fato, bastante peculiar e a tese dos autores possui plausibilidade, uma vez que o espetáculo será efetivamente realizado e a punição ao clube está, na prática, restringindo o direito de consumidores que não tem qualquer relação com a violação ao regulamento do Torneio que ocorreu no jogo realizado na Bolívia. No entanto, é necessário sopesar que a referida punição causou notória repercussão, tendo em vista que são dezenas de milhares de apaixonados torcedores que ficarão privados de assistir o tão aguardado espetáculo. A tensão que envolve referido cerceamento do direito dos torcedores levou a polícia militar a recomendar à população para que evite transitar pelas proximidades do Pacaembu no horário previsto para o espetáculo, haja vista que o risco de conflito é altíssimo. O que dizer se os milhares de revoltados torcedores presentes no local constatarem que um grupo seleto de cinco torcedores estão tendo acesso às arquibancadas por decisão judicial? Ainda que a motivação da negativa de público no evento seja outra, é inegável que, diante do fato consumado, a presença de alguns poucos torcedores com acesso à arena causa uma situação de enorme insegurança (exponencializa a possibilidade de tumulto nos portões de acesso) e expõe a risco efetivo a integridade física dos próprios autores e do aglomerado de pessoas que, certamente, comparecerão ao local com os mais diferentes propósitos e de forma pouco amistosa. Pela natureza dos interesses em litígio, não é razoável exigir que a Polícia Militar do Estado de São Paulo monte, do dia para a noite, um esquema especial de segurança apenas para viabilizar que cinco torcedores presenciem, in loco, um jogo de futebol. Nestes termos, considerando que questão existe um componente externo à lide consumerista – tensão generalizada entre os milhares de torcedores que adquiriram ingresso para o jogo - o que caracteriza motivo de força maior que inviabiliza a concessão da tutela específica capaz de assegurar somente aos autores o direito de acesso ao estádio, indefiro o pedido liminar. Int. São Paulo, 26/2/2013. VAI CORINTHIANS !!!!

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Lei prevê aluguel de R$ 27,1 mil para Pacaembu com portões fechados Nas contas do prejuízo que terá por jogar com portões fechados na Libertadores, o Corinthians pode incluir R$ 27.160,95 por partida no Pacaembu. Esse é o valor estipulado pelo decreto de lei 53.657 para jogos à noite sem cobrança de ingressos no estádio municipal. Em situações normais, o aluguel noturno é igual a 15% da renda do jogo com um teto de R$ 74 mil. A diretoria alvinegra calcula também um prejuízo mínimo de R$ 1,7 milhão por jogo por conta da punição pela morte do boliviano Kevin Douglas Beltran. Essa é a quantia mínima que os cartolas projetavam arrecadar em cada confronto como mandante com a venda de bilhetes. ----------------------- Empresa cobra R$ 3.600 para sobrevoar Pacaembu de helicóptero durante jogo do Corinthians com portões fechados Inconformado por não poder assistir à partida entre Corinthians e Millonarios, com portões fechados, um colaborador do blog mandou a seguinte mensagem por e-mail para uma companhia que trabalha com helicópteros: “Olá, preciso de um helicóptero para sobrevoar o Pacaembu amanhã à noite durante jogo do Corinthians. A ideia é ver de lá de cima os dois tempos. Vocês fazem esse trabalho? Podem me enviar um orçamento?” A inusitada pergunta foi respondida com naturalidade: “Prestamos esse tipo de serviço, sim. E o valor de nossa hora de voo para helicóptero com até 3 passageiros é de R$ 1.800,00”. Ou se seja, R$ 3.600 para o jogo inteiro, contando o intervalo. Simples assim.

Corinthians consulta a Conmebol e, até segunda ordem, veta imprensa e até transmissão na TV

O Corinthians levou a decisão da Conmebol à risca e, até segunda ordem, a partida desta quarta-feira contra o Millonarios, da Colômbia, sequer terá transmissão na TV. Nesta terça, o clube consultou a entidade sul-americana e aguarda uma resposta para, só então, autorizar a entrada da imprensa no Pacaembu. A decisão foi anunciada pelo Corinthians em seu site. Por meio de uma nota oficial, o clube disse que "com base na decisão da Câmara de Apelações da Conmebol", "apenas o presidente, a diretoria de futebol, os atletas e a comissão técnica poderão ir ao estádio do Pacaembu nesta quarta-feira". Ricardo Cabral, advogado da Gaviões da Fiel, será o defensor do jovem que assumiu ter lançado sinalizador que matou Kevin Espada Apu Gomes/Folhapress Ainda incomodado com a punição, considerada injusta, que o força a atuar com portões fechados, o Corinthians não quer se responsabilizar pelas pessoas que estiverem no estádio. Isso inclui, além da imprensa, juízes e desembargadores com acesso irrestrito ao Pacaembu e até patrocinadores da competição continental. Por isso, até que a Conmebol esclareça exatamente quais pessoas estão autorizadas a irem à partida, o Corinthians, como mandante, veta a presença delas no Pacaembu. A diretoria alvinegra já vinha pensando no assunto desde semana passada, quando a liminar foi anunciada, e colocou a decisão em prática nesta terça, após a entidade confirmar que o clube jogará sem público. A postura do clube, no entanto, não deve ser a mesma da entidade. Luiz Ademar, presidente da Aceesp (Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo) e comentarista do Sportv, disse que a Conmebol já planeja a operação do dia do jogo com a FPF (Federação Paulista de Futebol) e a administração do Pacaembu. "Falei com o Pacaembu e a FPF e eles já tiveram uma reunião para decidir até por onde a imprensa vai entrar", disse Luiz Ademar, que acredita que o Corinthians recuará em breve. Até o momento, no entanto, a Conmebol em si não se pronunciou sobre a decisão. O UOL Esporte tentou entrar em contato com a entidade, mas não obteve respostas. Único porta-voz ofical, o paraguaio Nestor Benitez trabalha até meio-dia na sede do órgão em Assunção e, por isso, só poderá ser encontrado na manhã de quarta. O representante brasileiro na entidade, Hildo Nejar, disse não poder falar sobre o caso. "Eu estou no Uruguai, fazendo jogo do Velez com Peñarol. Eu não posso falar sobre isso. Estou completamente alheio a isso. Aqui não tenho informações sobre esse assunto. Não sei de nada, nada. As partes mais prejudicadas foram pegas de surpresa. A assessoria de imprensa da Rede Globo, que segue anunciando a transmissão, informou desconhecer a medida, assim como Marcelo Campos Pinto, executivo da Globo Esporte, consultado pela reportagem. A Fox Sports, detentora dos direitos de transmissão na TV Fechada, não foi encontrada para comentar o assunto oficialmente, mas também não sabia da decisão do Corinthians. Toda essa discussão é um desdobramento da decisão da Conmebol, que nesta terça negou o recurso do Corinthians e manteve a punição que havia sido aplicada ao time na última semana após a morte do jovem Kevin Espada, de 14 anos. Assim, o atual campeão terá mesmo de jogar a Copa Libertadores sem público nas arquibancadas até que o mérito do caso seja julgado de forma definitiva. O Corinthians foi punido na quinta passada em caráter liminar depois do jovem Kevin Beltrán, de 14 anos, ter sido morto por um sinalizador de navio. O artefato foi disparado por torcedores alvinegros presentes no estádio Jesus Bermúdez, em Oruro, onde o clube brasileiro empatou por 1 a 1 com o San José pela primeira rodada do grupo 5 da Libertadores. Agora, o Corinthians não tem nada a fazer a não ser aguardar a decisão do Tribunal da Conmebol, quando poderá receber sanções ainda maiores ou ser totalmente absolvido. Independentemente do resultado, ele já terá de se preparar para devolver os ingressos à torcida. Somente para a partida contra o Millonarios, da Colômbia, nesta quarta, o clube já havia comercializado 28.500 ingressos. O Corinthians ainda não definiu, no entanto, como será feito esse processo. O clube ainda jogará com o Pacaembu vazio nos confrontos com Tijuana, do México, e o próprio San José. Além disso, o time não receberá mais carga de ingresso para os jogos que for visitante. O prejuízo apenas dos três jogos da fase de grupos será de pelo menos R$ 3 milhões, levando em conta a renda líquida da mesma fase do torneio anterior. De acordo com o Procon-SP, o clube será obrigado a devolver o dinheiro aos torcedores que já compraram os ingressos.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Timão se prepara para encarar Pacaembu 'silencioso' na quarta

Tite exalta importância de preparo especial para jogo contra o Millonarios: equilíbrio físico e psicológico. 'Espero que tenhamos forças', diz o técnico A semana que se inicia será atípica para o Corinthians. Até a última quarta-feira, data que marcou a estreia da equipe na Taça Libertadores da América, a torcida acreditava que lotaria o estádio do Pacaembu no dia 27, para a partida contra o Millonarios, da Colômbia, primeira como mandante na competição continental. A morte do boliviano Kevin Douglas Beltrán Espada, de 14 anos, no jogo diante do San José, mudou todos os planos: por decisão da Conmebol, o Timão terá de fechar os portões do estádio do Pacaembu - o clube recorreu e espera que a entidade se pronuncie nesta segunda-feira. A medida impactou até mesmo sobre o técnico Tite, que já promete preparação especial para seu elenco. Estádio Pacaembu: vazio para o jogo de quarta-feira? Abalado com a tragédia que vitimou o garoto no estádio Jesús Bermúdez, em Oruro, o treinador quer assegurar que os jogadores tenham equilíbrio emocional suficiente para jogar pelo menos a primeira fase da Libertadores sem a presença da torcida. Para isso, promete balancear os três dias de preparação entre preparo físico e psicológico. – Foi tudo muito rápido, mal tivemos tempo de descansar. E falo de corpo e cabeça. Estamos disputando duas competições de muita grandeza e importância. Eu já falei para o Fábio (Mahseredjian): precisamos estar fortalecidos, recuperados, para aguentar esse nível de exigência – afirmou. saiba mais Fábio Santos garante superação sem a Fiel: 'Emoção de fora vai contagiar' Na última quarta, ao fim do jogo com o San José, Tite mal conseguia falar. Sua entrevista coletiva se resumiu a duas frases, lamentando profundamente a morte de Kevin e dizendo que, se pudesse, trocaria até mesmo o título mundial conquistado em dezembro pela vida do garoto. O abalo da diretoria corintiana também foi notável: o gerente de futebol Edu Gaspar chorou ao comentar o ocorrido. O técnico preferiu evitar qualquer tipo de comentário em relação à punição imposta pela Conmebol. Embora a tragédia em Oruro tenha afetado diretamente seu trabalho, uma vez que o Corinthians terá de jogar com as arquibancadas vazias contra Millonarios, Tijuana e San José, Tite prometeu manter o foco sobre um único objetivo: avançar na competição. A única ressalva do comandante foi uma promessa: avisar a Polícia sobre qualquer irregularidade observada em qualquer estádio onde o Timão jogar, para evitar novos acontecimentos como este. – Ficarei atento ao meu trabalho, mas gostaria de nunca mais participar de um episódio como esse. Não tinha como prever, mas prometo que, se eu observar algum aspecto de falta de segurança, vou usar a mídia para denunciar. Não quero mais participar de um momento como aquele – explicou. A expressão de Tite quando questionado sobre como será observar o estádio do Pacaembu vazio, sem a presença dos torcedores, que lotaram em todos os jogos da Libertadores do ano passado, conquistada pelo Timão, foi de preocupação. O técnico demorou alguns segundos para resumir o quanto será difícil encarar o silêncio fora do gramado. – Não sei o quanto perdemos. Não sei mesmo responder. Tomara que tenhamos forças.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Suposto autor de disparo que matou torcedor boliviano falou ao Fantástico, da Rede Globo

O garoto de 17 anos, integrantes da Gaviões da Fiel, que assumirá a culpa pelo disparo de um sinalizador que matou o jovem Kevin Espada, 14, na última quarta-feira, em Oruro, falou ao Fantástico, programa da Rede Globo. O menor foi entrevistado pela equipe do programa neste domingo. O integrante da torcida organizada falou com os jornalistas ao lado da mãe. De acordo com o repórter responsável pela entrevista, Valmir Salaro, o jovem está muito amedrontado e afirmou que não tinha a intenção de matar. Ele alegará que teve dificuldades para acionar o sinalizador, o que acabou ocasionando uma explosão. O jornalista disse ainda que o garoto é de uma família humilde de Guarulhos-SP e que sua mãe deu um depoimento surpreendente sobre o caso. Segundo ele, o menor que vai assumir a autoria do crime veio de ônibus da Bolívia para o Brasil e demorou quase quatro dias para chegar. Nesta segunda-feira, ele se apresentará à Vara da Infância e da Juventude de Guarulhos. O jovem vai assumir que efetuou o disparo do sinalizador que matou a vítima. Ele dirá que não se entregou à polícia na Bolívia por determinação da Gaviões da Fiel, que era responsável pelo menor, com autorização assinada pela mãe dele. O incidente aconteceu no primeiro tempo da partida entre Corinthians e San José, da Bolívia. Desde quinta-feira, 12 torcedores corintianos se encontram detidos em Oruro. Dois foram apontados como responsáveis pelo disparos e os outros 10 foram indiciados como cúmplices.

Corintianos compram alimentos em comércio paralelo na cadeia boliviana

Torcedores sofrem até com falta de água dentro da Penitenciária de San Pedro, em Oruro, segundo mulher de um dos presos - Os 12 torcedores do Corinthians presos na Penitenciária de San Pedro, em Oruro, têm passado por dificuldades por causa do domínio exercido pelos detentos bolivianos no local – e sem controle da polícia. O relato parte da mulher de um dos presos e do ministro conselheiro da embaixada. Ambos acompanham de perto o caso do torcedor boliviano de 14 anos morto durante a partida entre San José e Corinthians, quarta-feira passada, no Estádio Jesús Bermudez. Mais próxima dos presos, já que seu marido está entre os 12 corintianos indiciados por homicídio, Marina Kim tem feito de tudo para deixar os detentos em condições um pouco melhores de convivência. A todo momento, (os corintianos) estão sendo hostilizados pelos bolivianos" Marina Kim, mulher de um dos detentos No entanto, a entrada de alguns itens de primeira necessidade foi vetada na penitenciária – água, por exemplo. De acordo com Marina, os torcedores tiveram de comprar garrafas dentro do próprio presídio, pagando a bolivianos. Durante a noite de sexta para sábado, faltou água encanada para tomar banho. – Tiveram de descer do segundo andar (onde estão alojados) para comprar água nesse comércio paralelo que eles têm lá dentro. A todo momento, estão sendo hostilizados pelos bolivianos – afirmou Marina. – Dos três lugares em que estiveram, este é o pior – completou. Antes de chegarem à Penitenciária de San Pedro, os 12 corintianos foram presos na sede da "Fuerza Especial de Lucha Contra el Crimen" ("Força Especial de Luta Contra o Crime"), e depois de indiciados ficaram na “carceleta”, uma cela instalada no subsolo da Corte Superior de Justiça de Oruro. Após terem a prisão preventiva decretada, foram encaminhados a San Pedro. Torcedores do Corinthians presos em Oruro, na Bolívia (Foto: Ricardo Taves) O ministro conselheiro da Embaixada do Brasil na Bolívia, Eduardo Saboia, confirmou que as condições do presídio são péssimas para os brasileiros. Ele acompanhou o grupo assim que foi encaminhado ao local e pôde fazer uma breve visita. Saboia se assustou com o que viu. – As paredes são de barro, tudo é muito antigo. Esses brasileiros não podem ficar aqui de jeito algum, não há qualquer condição de higiene, alimentação, coisas básicas que são de direito de qualquer cidadão. As condições são péssimas – afirmou o ministro. O local tem capacidade para aproximadamente 300 presos, mas conta com cerca de 500 encarcerados. O coronel Carlos Coritza, responsável pelo local, afirmou que os brasileiros estão sendo tratados da melhor maneira possível. – Estão em ambiente separado. Alguns outros presos estão se exaltando, mas mantemos sob controle – disse. Neste domingo, o embaixador do Brasil na Bolívia, Marcel Fortuna Biato, chega para tentar ajudar os corintianos a acharem uma solução para o caso. A missão dele é tentar acelerar o julgamento do recurso que pode fazer os presos responderem pela acusação em liberdade. Ao lado de Eduardo Saboia, o embaixador chega a Oruro no início da tarde deste domingo.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Contra punição, Corinthians admite possibilidade de sair da Libertadores

Se não for atendido em seu recurso, protocolado na última sexta na Conmebol, o Corinthians pode pedir para deixar a Libertadores em protesto. A informação não é confirmada pelo clube, mas a reportagem apurou que a possibilidade foi discutida nos últimos dias e pode ser ratificada em reunião na próxima segunda. A idéia dos dirigentes alvinegros seria comprar de vez a briga pela segurança nos estádios. Na última quinta, o Corinthians recebeu a notícia de que teria de jogar com portões fechados na Libertadores por conta da morte do garoto Kevin Beltrán Espada, de 14 anos, que foi atingido por um sinalizador de navio atirado por torcedores alvinegros presentes no estádio boliviano. Como o UOL Esporte publicou neste sábado, o clube entendeu que foi tratado como bode expiatório pela entidade sul-americana, já que o San José, mandante da partida, não foi punido e nem seu estádio foi interditado. Diante disso, a possibilidade de saída da Libertadores surge como uma maneira de reforçar o argumento corintiano. Neto: "eu tiraria o Corinthians da Libertadores" Corinthians é punido e jogará Libertadores sem torcida Já que tem de ser punido de forma exemplar, que o clube saia de vez do torneio, para conseguir, fora dele, brigar pela padronização das regras de segurança e evitar de vez novas mortes em estádios. "Aí sim eles vão ver o que é briga", disse uma fonte do clube que preferiu não se identificar. As conversas sobre o assunto surgiram na última sexta, quando os cartolas alvinegros se reuniram pela primeira vez após o anúncio da punição da Conmebol. Neste sábado, a possibilidade tornou-se pública pela primeira vez quando foi noticiada pelo site da ESPN. Oficialmente, o Corinthians não se pronunciará sobre o assunto. O único autorizado a tratar de um tema dessa importância é o presidente Mario Gobbi, que falará apenas após o julgamento do recurso enviado à Conmebol, que o clube espera que aconteça na próxima segunda. : Itamaraty vê tratamento digno a corintianos e legalidade em prisões Dois corintianos são indiciados como responsáveis por disparo que matou torcedor boliviano Ampliar Morte na Bolívia em jogo do Corinthians14 fotos 1 / 14 21.fev.2013 - Caixão com o corpo do jovem Kevin Beltran Espada, de 14 anos, é colocado dentro de carro em Oruro Leia mais AP Photo/Juan Karita Nos bastidores, no entanto, já se sabe que, caso o pleito corintiano na entidade não seja atendido, cartolas se reunirão na noite de segunda para tomar a nova posição. O próprio Mario Gobbi já defendeu a saída da Libertadores internamente e até em conversas na sede da FPF (Federação Paulista de Futebol), onde ele esteve na última sexta reunido com Marco Polo del Nero, presidente da entidade e vice da CBF (Confederação Brasileira de Futebol). Outros dirigentes que participaram das conversas também dão vazão à teoria, e dizem ter recebido apoio de torcedores para que o Corinthians deixe a Libertadores em protesto. O problema é que essa medida pode custar caro ao clube. Só neste ano, o Corinthians investiu 22 milhões de euros na contratação de novos reforços (Alexandre Pato, Gil e Renato Augusto) na expectativa de repetir os feitos de 2012. Além disso, também gastou para manter o elenco campeão mundial, e teria um enorme prejuízo financeiro se perdesse a oportunidade de defender essas conquistas. Além disso, e talvez ainda mais importante, tem o impacto financeiro que a decisão teria para seus parceiros. A Caixa, que paga R$ 30 milhões ao clube para estampar sua marca na camiseta alvinegra, teria prejuízos por perder a exposição no torneio continental. Da mesma forma a Globo e o Fox Sports, duas das maiores parceiras do clube por gastarem muito com direitos de transmissão do torneio, também sofreriam com a ausência do clube de maior torcida entre os brasileiros que disputam a Libertadores deste ano. Por último, teria o ônus político. Uma decisão polêmica como essa não seria unânime e poderia arranhar a imagem da diretoria no sempre atribulado ambiente político alvinegro. Além disso, caso saia do torneio, o clube teria de pagar multa de cerca de R$ 400 mil aos três times do Grupo, R$ 39 mil à Conmebol e ficaria automaticamente fora das três próximas edições para as quais se classificasse. Se o recurso corintiano de fato não for aprovado, tudo isso deve ser pesado pelos cartolas do Parque São Jorge, para que só então a ameaça vire de fato uma realidade. TORCEDORES ESTÃO EM PRESÍDIO SUPERLOTADO E VIGIADO POR DETENTOS Penitenciária de San Pedro, Oruro, Bolívia. É lá que os 12 torcedores corintianos indiciados pelo homicídio do jovem boliviano Kevin Douglas Espada, de 14 anos, ficarão presos à espera do julgamento ou uma segunda ordem judicial. Funcionando desde 1844, a prisão está hoje superlotada e opera sob um controle peculiar de segurança: lá, são os próprios detentos os responsáveis por garantir a ordem. A descrição é do ministro conselheiro da embaixada do Brasil na Bolívia, Eduardo Saboia. Ele é o chefe da representação brasileira no país vizinho e acompanha, com certa apreensão, a situação dos brasileiros presos após o jogo entre San José e Corinthians, na quarta-feira - o duelo terminou