quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Quais são os países que mais têm cavalos?



Quais são os países que mais têm cavalos?

Brancos, negros, pintados, o que não falta é cavalo no mundo


Não é surpresa que os cavalos façam parte da paisagem do Quirguistão. A final, acredita-se que esses animais foram domesticados pela primeira vez nas regiões de estepes que se estendem da moderna Ucrânia até a Ásia Central há cerca de 4 mil a 6 mil anos.

O Quirguistão tem, estimados, 362.433 cavalos – mais ou menos um para cada 15 pessoas. E na Mongólia, que tem mania de cavalos, há quase tantos deles quanto seres humanos. A maioria das principais nações com cavalos fica, porém, no Novo Mundo, terra de caubóis e gaúchos. Caso do Brasil, que nessa lista ocupa a quarta posição no mundo.

1. EUA (9.500.000)

2. China (6.752.465)

3. México (6.350.000)

4. Brasil (5.500.000)

5. Argentina (3.680.000)

6. Colômbia (2.505.579)

7. Mongólia (2.221.300)

8. Etiópia (1.995.306)

9. Cazaquistão(1.370.500)

10. Rússia (1.353.323)

Fonte: Organização das Nações Unidas para agricultura e alimentação, 2008 e 2009


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Socorro para o pronto-socorro


Quem conhece o Pronto-Socorro do Hospital das Clínicas, na região central de São Paulo, sabe que a situação ali nunca é tranquila. Volta e meia, porém, as coisas saem do controle.

O gráfico Claudemir Palmeira, 45 anos, procurou o PS na sexta-feira, com queixas de tontura e surdez.

Passou o primeiro dia numa cadeira. O segundo, numa poltrona. Na segunda-feira, contou à reportagem do Agora sua irmã e acompanhante, Rosana Spessato, já tinha direito a uma maca, só que no corredor.

Além de Palmeira, outras três dezenas de pacientes ocupavam leitos improvisados nos corredores. Até em frente da porta do elevador havia uma maca, atrapalhando a passagem.

"Meu irmão está recebendo atendimento, mas não em condições humanas", queixa-se a dona de casa. É óbvio que ela está certa.

Isso não quer dizer, porém, que os médicos estão fazendo pouco caso do drama de toda aquela gente. O pronto-socorro vive superlotado, e os doutores não dão conta de atender todo mundo e internar quem precisa.

Esse, aliás, é um dos grandes problemas: muita gente procura o pronto-socorro do HC porque sabe que ali será atendido, mais dia, menos dia.

Mas esse hospital, um dos melhores da cidade, só deveria receber casos mais complicados, encaminhados por postos de saúde básica ou outros hospitais. Falta uma triagem mais rigorosa de pacientes.

Além disso, a procura sobe muito, coisa de 30%, em feriados como o Carnaval. Em condições normais, já são 500 pessoas por dia.

Some-se a isso a desorganização, e quem sofre mais do que precisa é o paciente.



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País da impunidade


A "Folha de S. Paulo" publicou no domingo um caderno especial que revelou detalhes sobre uma realidade conhecida de todos: processos judiciais contra políticos não andam.

Um caso ilustra bem o problema. Em abril de 1997, o Ministério Público Federal em Cuiabá começou a investigar fraudes na antiga Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). O órgão era à época controlado pelo então líder do PMDB no Senado, Jader Barbalho, que foi indiciado.

O processo rola até hoje, quase 15 anos depois. Há quem considere que a demora é culpa do chamado "foro privilegiado", que a Constituição prevê para algumas autoridades.

Isso quer dizer que pessoas que ocupam esses cargos são julgadas direto por tribunais superiores. Deputados e senadores, por exemplo, podem ser julgados só pelo Supremo Tribunal Federal.

Será que isso representa mesmo um privilégio? Na verdade a ideia é dificultar dois problemas.

Primeiro, que autoridades sejam alvo fácil de perseguições políticas disfarçadas de processos penais.

Segundo, evitar que o poder da autoridade influencie juízes de primeira instância, em geral menos experimentados.

Em tribunais mais elevados, além disso, diminuem as chances de recursos e manobras. Assim, em tese, a conclusão do processo poderia ser mais rápida.

Não é o que acontece na realidade. Mas será que acabar com o foro privilegiado resolve o problema?

É difícil acreditar nisso. Basta ver a quantidade de crimes envolvendo cidadãos comuns que tardam em ser esclarecidos e julgados.

Record vai brigar por Copas na Justiça



A Record vai entrar com um processo contra a Fifa na Justiça. Tudo por conta da renovação do contrato de transmissão das Copas do Mundo de 2018 e de 2022 com a Globo.

A Record diz que foi informada pela Fifa em 2010, após o término da Copa do Mundo, de que haveria concorrência no Brasil pelos direitos de transmissão dos eventos em questão. A emissora diz que estava muito interessada em participar dessa disputa, e foi surpreendida pelo anúncio da Globo, na terça-feira (28), de que havia comprado os dois mundiais.

A Record afirma que não houve no Brasil livre concorrência pelo evento, diferentemente do que ocorreu em mais de 40 países, em que vários grupos de comunicação disputaram em licitações as Copas de 2018 e 2022.

A emissora pretende recorrer às entidades mundiais de defesa ao livre comércio, na Suíça, para fazer valer os seus direitos.

A emissora soltou um comunicado oficial sobre o assunto.

COMUNICADO

A Rede Record vem a público manifestar absoluta surpresa com a decisão da Fifa de prorrogar o acordo de direitos de transmissão das Copas do Mundo de 2018 e 2022 para o Brasil com uma outra emissora sem qualquer licitação.

A Record foi informada em 2010, logo após o término da Copa do Mundo, pelo diretor de TV da Fifa, sr. Niclas Ericson, de que haveria uma concorrência pelos direitos de transmissão dos eventos promovidos pela Fifa em 2018 e 2022, conforme provam e-mails trocados entre executivos da Record e a Fifa. No encontro realizado no Hotel Fasano, no Rio de Janeiro, a direção de nossa empresa ouviu garantias de que a licitação seria pública, transparente e aberta em regime semelhante ao que a Fifa realiza em países do mundo inteiro. Na oportunidade, a Record também entregou à Fifa um documento oficial afirmando que concorda com todas as condições para a aquisição dos eventos.

O acordo com a concorrência foi anunciado sem que qualquer outra empresa de comunicação brasileira tenha sido consultada, A informação foi divulgada no mesmo espaço de notícias em que a Fifa anuncia a abertura de licitação dos direitos para centenas de países da Europa, como Alemanha, Itália e Portugal; da Ásia como China e India; da Oceania como Austrália, da África, além de Estados Unidos, Canadá, América Central e da própria América do Sul.

É estranho verificar que para o Brasil o método seja outro. Um contrato sem concorrência decidido “fora do horário comercial”, sem ser à luz do dia e de forma transparente.

Relevante, também, ressaltar que a empresa que teve seu acordo prorrogado com a FIFA gosta de se auto intitular como um dos maiores grupos de comunicação do mundo. Em contrapartida, mostra em seus métodos que não aceita concorrência livre em que a melhor proposta seja a vencedora.

A Record informa que pretende estudar as melhores medidas judiciais cabíveis na Suiça e no Brasil que garantam os direitos internacionais de negociação.

Acreditamos na justiça e nas entidades mundiais de defesa do livre comércio sediadas na Suiça. Organizações que, justamente, combatem práticas de monopólio, protecionismo e corrupção.



domingo, 26 de fevereiro de 2012

Crise na CBF

Ricardo Teixeira está na CBF há 23 anos. Quando ele assumiu, o Brasil ainda era governado por José Sarney e o muro de Berlim estava de pé.

O Brasil era tricampeão e enfrentava um longo jejum de títulos mundiais. Nesses anos todos, algumas coisas positivas aconteceram.

Chegamos ao penta em 2002 e já temos um campeonato por pontos corridos, como nos principais países da Europa. Mas poderia ter sido melhor.

Teixeira escolheu mal alguns técnicos (Dunga, por exemplo, tinha pouca experiência) e foi relapso na organização. O calendário brasileiro de partidas continua uma bagunça.

Para piorar as coisas, o cartola é acusado de receber propina de uma empresa suíça e de promover negócios nebulosos na CBF.

Teixeira já passou por apertos em duas CPIs, no Congresso. Mas conseguiu superar as dificuldades e se manter no poder.

Nos últimos anos, recebeu apoio do presidente Lula e se deu bem ao trazer a Copa de 2014 para o Brasil. Esses tempos de glória, no entanto, estão, ao que parece, chegando ao fim.

A presidente Dilma Rousseff mudou o tratamento que o governo dava ao dirigente. Teixeira agora é mantido a distância pelo poder.

Com tantos problemas, o cartola parece que anda pensando em renunciar. Esperava-se que isso fosse acontecer nas últimas semanas, mas ele preferiu aguardar os próximos lances.

Caso Teixeira saia, há grandes chances de a troca ser de seis por meia dúzia.

O que o futebol brasileiro precisa é de sangue novo, lideranças ousadas que modernizem o esporte e façam as coisas às claras.

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Receio de vingança de Teixeira e retaliação da Globo afastam clubes de crise na CBF
Presidentes dos principais clubes brasileiros não querem ouvir falar sobre a crise envolvendo a possível saída de Ricardo Teixeira da CBF. O blog apurou que a maioria dos cartolas teme a fama de vingativo do presidente da confederação. E tem receio de entrar em atrito com a Globo no caso de escolherem o lado errado na briga.

A maioria dos dirigentes não conta com informações seguras sobre se Teixeira vai de fato se afastar provisoriamente ou definitivamente do cargo. E há dúvidas sobre se José Maria Marin é mesmo o seu sucessor favorito (por ser o vice mais velho, o paulista é o substituto natural). Sem saber onde estão pisando, os cartolas preferem ficar longe do campo minado, que tem federações rebeladas de um lado e a Federação Paulista e Teixeira do outro. Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Bahia são alguns dos rebeldes.

Um dos receios é contrariar Teixeira e sofrer com a escalação de árbitros indesejados no Brasileirão e até na Libertadores. Em relação à TV Globo, a principal preocupação é o fato de já estar difícil conseguir antecipar cotas dos direitos de transmissão do Nacional. Se ela ficar insatisfeita, a situação pode até piorar.

“Ninguém de federação e CBF me procurou para falar sobre o assunto. E eu não vou me envolver. Não sou político e estou muito ocupado cuidando das coisas do Santos”, disse ao blog Luís Álvaro de Oliveira Ribeiro, presidente santista.

Juvenal Juvêncio, desafeto da CBF e da FPF, teria motivos de sobra para meter a colher. Porém, ele disse ao blog que não irá tomar partido. Alexandre Kalil, do Atlético-MG, também afirmou que não quer saber do assunto. O blog apurou que Arnaldo Tirone, do Palmeiras, é mais um da turma que quer passar longe da briga.

Mário Gobbi, novo presidente corintiano, não deve se envolver. Mas, o alvinegro tem Andrés Sanchez, diretor de seleções da CBF, na trincheira, ao lado de Teixeira.

O sentimento geral da cartolagem dos clubes é o de que o envolvimento nessa briga pode trazer muitos prejuízos e poucos ganhos.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Margin Call - O Dia Antes do Fim


Filme sobre a madrugada que decidiu a crise financeira de 2008 tem nos estudos de personagem sua força e sua fraqueza



Margin Call - O Dia Antes do Fim
Margin Call
EUA , 2011 - 107 minutos
Drama

Direção:
J.C. Chandor

Roteiro:
J.C. Chandor

Elenco:
Kevin Spacey, Zachary Quinto, Jeremy Irons, Demi Moore, Stanley Tucci, Penn Badgley, Simon Baker, Mary McDonnell, Paul Bettany, Aasif Mandvi

Bom



Não espere entender a crise financeira de 2008 por meio de Margin Call - O Dia Antes do Fim. O drama escrito e dirigido pelo estreante J.C. Chandor trata a rotina do mercado financeiro como se fosse de conhecimento geral, sem explicações demais - e nos EUA, onde o escândalo dos créditos imobiliários ajudou a levar à recessão, talvez já seja de conhecimento geral mesmo.

Chandor está mais interessado em conhecer as pessoas, dentro da hierarquia de um banco de investimentos, responsáveis pela crise. Não são citados nomes, mas a trama se passa visivelmente na versão ficcional do Lehman Brothers - um dos bancos que mais faturavam em cima de papéis podres (empréstimos feitos a pessoas que dificilmente poderiam pagá-los) e que, da noite para o dia, decidiu vender todos para impedir um caos de liquidez que arruinaria o banco.

Como se viu na realidade, inundar o mercado com papéis podres pode ter salvo alguns pescoços (que mantiveram seus pescoços e também seus bônus) mas provocou a paralisia de todo o sistema financeiro. Essa discussão ética - cair sozinho ou adiar a queda enquanto os outros caem primeiro - está no centro de Margin Call e afeta desde o mais inexperiente operador de Bolsa (Penn Badgley) até o presidente do banco (Jeremy Irons), nas 12 horas desde o diagnóstico do problema até a decisão de livrar-se dos papéis.

Talvez por transcorrer ao longo de uma madrugada, o que sobressai ao longo do filme é a solidão. Corredores vazios e janelões que dão vista para uma Nova York impassível assistem à passagem de personagens que se encontram diariamente mas mal se comunicam. A conversa padrão é tentar descobrir quanto o outro lucrou nos últimos 12 meses. Para incentivar diálogos improváveis na hierarquia de uma grande corporação (o chefe trocando confidências com o novato), o filme toma até liberdades criativas como sugerir que o diretor usa o banheiro comum da empresa, e não um privativo, para se barbear de manhã.

Esse estudo de personagens é a força e também a fraqueza de Margin Call. Força porque dá espaço para nomes como Paul Bettany, Stanley Tucci, Kevin Spacey e Demi Moore construírem os seus com propriedade (Spacey, que divide certo protagonismo com o operador interpretado por Zachary Quinto, sai da inércia de seus outros papéis recentes e se destaca). Mas é uma fraqueza porque Chandor se força a transformar alguns desses personagens em tipos específicos - cada um deles exemplificando um "mal" que a vida no mercado financeiro pode fazer às pessoas.

E aí a narrativa de Margin Call, que inicialmente parece aberta a entender as motivações dessas pessoas, se confunde com lição de moral. Tem a executiva que abriu mão da maternidade para se dedicar à profissão, tem o sujeito decente que vai terminar se ferrando porque pagou a casa com ações do banco, e tem, finalmente, o funcionário com décadas de serviço prestado que não subiu na hierarquia por ser ético e que viu, nesse tempo, seu casamento desmoronar.

Chandor se concentra, ao final do filme, nesses funcionários mais antigos (Demi, Spacey, Tucci) e larga Quinto e Badgley meio que pelo caminho porque o primeiro grupo serve melhor ao seu propósito de mostrar o lado desalmado do mercado, aquele que leva anos mas consome o indivíduo por completo. Margin Call parece ignorar toda uma parcela cinza entre esses opostos: aqueles que souberam entrar no jogo, enriquecer rápido e sair - que afinal é o propósito de quase todo estagiário que se aventura em um banco de investimento, com ou sem crise. Aliás, foi esse tipo de ganância de curto prazo que a provocou.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Gaviões irá expulsar integrantes que colocaram fogo em carro alegórico



Torcedores não tinham sido identificados até a tarde desta sexta-feira.
Incêndio em carro da Pérola Negra ocorreu após tumulto no Anhembi.

Carro alegórico da Pérola incendiado no Anhembi
durante apuração
O advogado da Gaviões da Fiel, Davi Gebara Neto, disse na tarde desta sexta-feira (24) que a escola irá expulsar os integrantes que colocaram fogo em uma alegoria da Pérola Negra na dispersão do Sambódromo do Anhembi, depois da confusão durante a abertura das notas do Grupo Especial, nesta terça-feira (21). Eles ainda não foram identificados.
"O Wagner [da Costa, vice-presidente da Gaviões] se comprometeu a tentar localizar quem são as pessoas responsáveis, trazer os nomes e expulsá-los. Isso não pode acontecer", disse o advogado.
Imagens feitas pela emissora Rede TV mostraram pessoas com camisetas pretas e que acompanham a torcida da Gaviões da Fiel atirando objetos em direção ao carro alegórico. O delegado Osvaldo Nico Gonçalves, do Delegacia Especializada em Atendimento ao Turista (Deatur), investiga o caso e tenta identificar os responsáveis pelo incêndio.
Gebara Neto acompanhou Costa durante depoimento na delegacia. Na saída, o vice-presidente da Gaviões só explicou por que se dirigiu até a área restrita, onde eram lidas as notas, antes de a confusão começar - a polícia investiga se houve uma ação orquestrada entre dirigentes. "Como dirigente, queria conversar com os integrantes da Liga. Não era cabível aquele 8,9”, disse, reclamando sobre uma nota recebida pela escola.
saiba mais
Pérola planejava vender esculturas e quer ressarcimento da Gaviões da Fiel
Pagamento do prejuízo
Na quarta-feira (23), o presidente da Pérola, Edilson Casal, compareceu à sede da Gaviões da Fiel no Bom Retiro, na região central de São Paulo. Segundo o diretor da Pérola Jairo Roizen, conversas estão sendo mantidas entre as duas diretorias para tentar resolver o imbróglio.
"Queremos que a Gaviões faça o ressarcimento ou que a Liga faça isso. A intenção real é que todos sejam punidos. Por enquanto, a única escola que está sendo punida é a Pérola Negra, que está sendo rebaixada sem que as notas de dois jurados tenham sido lidas e ainda teve um carro incendiado."
A Pérola Negra afirmou que o incêndio é prejuízo para a escola, apesar do fato de que o carro não será mais usado em desfiles. Segundo Jairo Roizen, a Pérola mantinha conversas com a própria Prefeitura de Itanhaém, cidade que foi tema do samba-enredo, para vender as esculturas presentes na alegoria. Outra opção, de acordo com Jairo, era vender as esculturas para escolas menores do interior de São Paulo. É um procedimento adotado pelas escolas de samba todos os anos para se livrar material que não será utilizado novamente.

Guerra sem fim e Baixaria no Carnaval

Autoridades do governo federal, da Justiça e do Ministério Público resolveram promover um mutirão para zerar investigações sobre homicídios que estavam paradas pelo país afora.

A ideia era dar um fim, até o ano passado, para 143 mil inquéritos instaurados antes de dezembro de 2007 em diversos Estados.

A meta não foi atingida. Apenas 28 mil casos foram concluídos, mas a maioria (cerca de 80%) sem apontar culpados.

É um triste retrato do que acontece no país. Índices alarmantes de homicídios continuam a ser registrados, enquanto a polícia e a Justiça falham na hora de investigar, julgar e punir.

O que intimida o possível criminoso não é o tamanho da pena, mas a certeza da punição. Não adianta aumentar a quantidade de anos que o bandido deveria ficar atrás da grades se ele não for preso, julgado e condenado.

E, nisso, o Brasil continua falhando. A polícia comete muitos erros, que acabam anulando as investigações.

Basta dizer que há inquéritos que não identificam os autores e outros em que os suspeitos são identificados só como "Yara de Tal", ou "Zé Gordo".

O Brasil tem melhorado na economia e já se firmou como uma democracia. Mas o problema da criminalidade permanece.

Apenas 5% a 8% dos casos de homicídio terminam em condenação.

Levantamento realizado com dados do governo federal mostra que, no Brasil, 192,8 mil pessoas foram assassinadas entre 2004 e 2007; no mesmo período, 169,5 mil pessoas morreram nos 12 maiores conflitos armados pelo mundo.

Até quando vamos conviver com essa guerra?

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Baixaria no Carnaval

Não é de hoje que algumas escolas de samba, tanto no Rio quanto em São Paulo, se deixam contaminar por elementos de reputação duvidosa, para dizer o mínimo.

Quem nunca ouviu falar de bicheiros, por exemplo, que mandam e desmandam nas agremiações? A proximidade de escolas com torcidas organizadas de times de futebol paulistas, volta e meia envolvidas em brigas, só piora a tendência dos concursos carnavalescos para acabar em tumulto.

Neste ano, porém, o pessoal passou dos limites.

A apuração das notas das escolas seguia no clima normal de tensão, no Anhembi. A Mocidade Alegre liderava a competição. Quando a leitura das avaliações chegou ao último quesito, estourou a confusão.

Um integrante da escola Império de Casa Verde pulou as barreiras e invadiu o espaço reservado para os apuradores. Como já se dava como certa a vitória da Mocidade Alegre, o homem pegou as fichas com as notas e começou a rasgá-las. Foi o maior carnaval, no pior sentido.

Membros das torcidas de outras escolas também invadiram o espaço da apuração. Corre-corre, empurra-empurra. Uma turma da Gaviões da Fiel saiu e invadiu pistas da marginal do Tietê. Carros alegóricos foram incendiados.

Se esse povo não sabe perder, por que aceita participar de um concurso?

A Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo diz que vai haver punições para as escolas que apelaram para o vandalismo. Mas também diz que vai aguardar o resultado do inquérito, como se ninguém soubesse quem começou a baixaria e estragou a folia.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Carnaval de 2012 em SP tem cara e cheiro de armação

Sempre digo que o primeiro passo de uma conspiração é tentar caracterizar como ?teoria conspiratória? qualquer suspeita de que aquela conspiração existe. Se alguma coisa tem cara e cheiro de conspiração ela pode até não ser, mas descartar indícios de que é e se recusar a discuti-los é apenas outro indício de que a conspiração existe, pois quem não deve não teme.
Sob esse prisma, os eventos imediatamente anteriores e posteriores ao desfile de escolas de samba de São Paulo no último fim de semana sugerem uma baita conspiração que tem até motivo bem claro para ter existido.

Os ataques da Globo a uma escola de samba que ousou homenagear seu inimigo número 1 começaram no dia 21 de janeiro, quando a revista semanal Época publicou matéria que criticava a escolha do tema deste ano da Gaviões da Fiel.

Segundo a matéria, além de mestre-sala, porta-bandeira e baianas, a escola deveria levar ?mensaleiros? para a avenida ao homenagear o ex-presidente Lula. Aliás, há denúncia de que o diretor de redação da revista, Hélio Gurovitz, teria interrompido as suas férias para alterar a reportagem da repórter Mariana Sanches, transformando seu trabalho em uma pesada diatribe contra a Gaviões e seu homenageado.

Em nota divulgada no dia seguinte, a escola de samba usou termos duros para se referir à matéria da edição de nº 714 da revista, cujo título foi ?Cadê a Ala dos Mensaleiros??. Usando frases como ?má fé característica dos maus profissionais?, a Gaviões acusou a revista de ?dar um tom tendencioso e de especulação? à matéria sobre seu enredo deste ano.

Estava comprada a briga com as Organizações Globo. Além de ousar homenagear aquele que o império dos Marinho trata como um criminoso ? apesar de ser o político mais popular e mais respeitado da história brasileira sob qualquer critério ?, a Gaviões ainda ousou responder aos insultos que sofreu.

Se para caracterizar uma conspiração se requer um motivo, ei-lo.

A partir daí, começam a se amontoar indícios de que a Globo pode ter usado a sua indiscutível influência e ascendência sobre os desfiles de Carnaval de São Paulo ou do Rio de Janeiro ? que deriva de ser detentora dos direitos de veiculação desses desfiles ? para punir a escola de samba insolente que ousou desafiá-la.

Não sei se todos sabem, mas o processo de escolha do júri que julga o desempenho das escolas de samba paulistas foi mudado em 2012. A partir deste ano, a Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo abriu concurso público para seleção de jurados, o que desencadeou suspeitas de várias escolas.

Mas não fica por aí. O vice-presidente da Vai-Vai, Renato Maluf, contou que a Liga das Escolas de Samba de São Paulo enviou um e-mail às agremiações na quinta-feira passada avisando que dois jurados (de samba-enredo e evolução) seriam mudados, o que gerou discussão acalorada entre os presidentes das escolas. Além disso, Maluf também falou sobre a suspeita de que a Mocidade Alegre entrou na avenida com menos de dois mil componentes (contrariando regulamento), mas isso não foi considerado na ata.

Então chegamos a mais um indício para lá de estranho. Assisti a todos os desfiles paulistas. Mesmo não sendo especialista, percebi que o ponto alto do desfile da Gaviões foi justamente a parte em que dezenas de integrantes fantasiados como Lulas operários despiram os macacões e passaram a desfilar de terno e gravata, caracterizados, agora, como presidentes da República.

A evolução da Gaviões não se deixou atrapalhar pela complicada troca de roupa dos ?Lulas?. A escola cumpriu rigorosamente o tempo, evoluiu sem qualquer problema, mas recebeu uma nota baixíssima da jurada substituta, incumbida justamente de avaliar a? Evolução das escolas (!).

Segundo a Gaviões, a nota 8,9 que recebeu da jurada Mary Dana só seria possível se a escola estivesse ?se arrastando? na avenida. E o que é mais intrigante: a jurada substituta deu à mesma Gaviões a nota mais baixa de todas, apesar de não haver qualquer explicação para tanto. O vídeo abaixo comprova isso.

Por fim, uma explicação sobre por que não é digerível uma sétima colocação para uma apresentação como a da Gaviões da Fiel, pois a escola foi agraciada, neste ano, com o prêmio ?Troféu Nota 10? pelo melhor Enredo.

Esse prêmio foi criado pelo jornal Diário de S. Paulo para os grandes destaques dos desfiles das escolas de samba do carnaval paulista. O troféu é subdivido em várias categorias, que representam diversos setores de uma escola de samba. A escolha é feita por jurados escolhidos pelo jornal. O prêmio em tela está em sua décima edição.

Ou seja: no mínimo, a Gaviões não foi tão mal assim?

Aí chegamos ao ponto da baderna promovida por alguns torcedores de várias escolas, mas que acabou recaindo exclusivamente sobre a Gaviões justamente por ação do noticiário da mesma Globo que publicou, na sua revista Época, a tal diatribe contra a agremiação pela ousadia de homenagear seu maior desafeto.

Era tão óbvio que estava armado o cenário para acontecer aquele bafafá que este blog chegou a publicar, dias antes da conturbada apuração, post que avisava que as injunções políticas que a Globo havia fomentado contra a Gaviões poderiam gerar o que de fato acabou ocorrendo.

A cada Carnaval, surgem acusações de que a Globo interfere no resultado das disputas de escolas de samba. A pontuação pífia da Gaviões que a emissora atribui ao público, é estranha. A escolha da vencedora em S. Paulo pode virar uma guerra, este ano.

Era óbvio que os torcedores da Gaviões já chegariam ao Carnaval deste ano sob o clima que a Globo impôs através da sua revista. Era óbvio que qualquer estranheza que o processo de apuração gerasse desencadearia o que acabou sendo desencadeado.

Vale dizer que ninguém se incomodaria se a Gaviões não fosse a vencedora do desfile. O que se questiona é o péssimo desempenho que a escola teve entre os jurados e que contrastou fortemente com o seu exuberante desempenho na avenida.

Agora, para a Globo dizer que venceu, que acabou com o carnaval da ousada Gaviões, falta muito. Apesar de esse aparato midiático ter criminalizado a escola em sua programação, apesar de ter produzido mais uma associação entre Lula e a ilegalidade, penso que comprou briga com uma torcida imensa.

Será que a Globo venceu mesmo?