terça-feira, 24 de julho de 2012

Zebra na eleição em São Paulo?

O instituto Datafolha divulgou no sábado uma pesquisa sobre as intenções de voto para prefeito de São Paulo. O que mais chamou a atenção foi o crescimento do candidato Celso Russomanno (PRB). Com 26%, ele está praticamente empatado com José Serra (PSDB), que tem 30%. Os outros candidatos, como Fernando Haddad (PT) e Soninha Francine (PPS), não passam de 7%. O bom desempenho de Russomanno é surpreendente porque ele é candidato por um partido pequeno, bem menor que PT e PMDB, que estão atrás na disputa. Muita gente achava que Russomanno estava indo bem nas pesquisas porque aparecia muito na TV. Até o fim de junho, ele apresentava um quadro num programa da TV Record. A última pesquisa, porém, foi feita três semanas depois de ele sair da telinha. Como o candidato continua bem na fita, é preciso buscar outras explicações. Uma delas é a força da Igreja Universal, que é ligada ao partido de Russomanno. Outra é que o candidato do PT ainda é pouco conhecido. Só que os petistas sempre vão bem entre os eleitores da cidade. Muita gente que hoje diz votar em Russomanno pode mudar de ideia lá na frente, quando souber quem é Haddad. Mas, em geral, o que decide a eleição é o tamanho da propaganda eleitoral na TV. E, nesse aspecto, Russomanno está em quarto lugar, atrás de Serra, Haddad e Gabriel Chalita (PMDB). Se, depois do início da propaganda na TV, Russomanno continuar bem, ele poderá ser considerado um candidato forte. Por enquanto, é candidato a zebra.

Cuidado com o cartão

A economia brasileira passa por um momento difícil, mas cresceu nos últimos anos. A renda média do trabalhador subiu e muita gente conseguiu aumentar seu poder de compra. Um dos caminhos que facilitaram o crescimento do consumo foi a ampliação do crediário. Comprar em muitas vezes, pagando prestações que parecem caber no salário, é mesmo uma tentação. Mas é preciso tomar cuidado. Os juros cobrados nesses financiamentos podem ser muito altos. E, num momento de aperto, vão transformando a dívida em bola de neve. De todos os tipos de crédito à disposição das pessoas, o mais perigoso ainda é o do cartão de crédito. Uma pesquisa feita por uma associação de defesa do consumidor mostra que os juros cobrados por esses cartões no Brasil chegam a inacreditáveis 323% ao ano. São disparados os maiores da América Latina. É possível que sejam os maiores do mundo. Quem atrasa o pagamento da fatura ou liquida apenas a parcela mínima pode quebrar a cara. Uma das causas dessa situação é a falta de concorrência no setor. E onde não tem competição, vale a lei do mais forte. No caso, os bancos e as instituições financeiras que lucram com os cartões. Os bancos costumam dizer que as taxas são altas porque muita gente dá calote. Mas o bom-senso indica que é o contrário: muita gente dá calote porque as taxas são absurdas. O governo sabe dos abusos, mas não consegue resolver. Enquanto continuar essa situação, o melhor a fazer é manter distância de dívidas no cartão.

Violência injustificada Não há dúvida de que o empresário Ricardo Prudente de Aquino teria se precipitado e errado ao supostamente desrespeitar sinalização de bloqueio policial para que parasse seu automóvel, anteontem, no bairro de Alto de Pinheiros. A consequência dessa decisão, entretanto, não poderia ter sido seu assassinato por policiais militares. Os PMs dispararam dois tiros na têmpora de uma pessoa desarmada. Quatro cápsulas foram encontradas dentro do carro. É inaceitável o comandante-geral interino da PM declarar que ação foi correta e "não pode ser criticada", pois o empresário desobedeceu a uma ordem legal. Ora, não consta que a lei brasileira dê à polícia o direito de executar sumariamente pessoas simplesmente por desrespeitarem ordens legais. O que aconteceu anteontem com um empresário num bairro nobre não é novidade em áreas menos favorecidas da cidade. São inúmeros os casos, não apenas em São Paulo, de policiais que matam inocentes por preconceito ou simples despreparo. No clima de guerra que envolve hoje os embates entre policiais e membros da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), atirar antes e verificar depois parece uma atitude natural. Mas não é. A polícia é paga pela sociedade para promover a segurança, não o terror. Precisa ser treinada para desempenhar suas funções de maneira eficaz. Tem de respeitar a vida e as leis. É claro que a PM também precisa ser capaz de se impor em confrontos armados e situações de grave perigo. Só que não era esse o caso em Alto de Pinheiros.

Não há dúvida de que o empresário Ricardo Prudente de Aquino teria se precipitado e errado ao supostamente desrespeitar sinalização de bloqueio policial para que parasse seu automóvel, anteontem, no bairro de Alto de Pinheiros. A consequência dessa decisão, entretanto, não poderia ter sido seu assassinato por policiais militares. Os PMs dispararam dois tiros na têmpora de uma pessoa desarmada. Quatro cápsulas foram encontradas dentro do carro. É inaceitável o comandante-geral interino da PM declarar que ação foi correta e "não pode ser criticada", pois o empresário desobedeceu a uma ordem legal. Ora, não consta que a lei brasileira dê à polícia o direito de executar sumariamente pessoas simplesmente por desrespeitarem ordens legais. O que aconteceu anteontem com um empresário num bairro nobre não é novidade em áreas menos favorecidas da cidade. São inúmeros os casos, não apenas em São Paulo, de policiais que matam inocentes por preconceito ou simples despreparo. No clima de guerra que envolve hoje os embates entre policiais e membros da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), atirar antes e verificar depois parece uma atitude natural. Mas não é. A polícia é paga pela sociedade para promover a segurança, não o terror. Precisa ser treinada para desempenhar suas funções de maneira eficaz. Tem de respeitar a vida e as leis. É claro que a PM também precisa ser capaz de se impor em confrontos armados e situações de grave perigo. Só que não era esse o caso em Alto de Pinheiros.

Praia de paulista

Quem curte uma praia já deve ter lido o aviso: "água imprópria para banho". Esse alerta é comum nas cidades do litoral de todo o Brasil. Ele diz para o banhista que o mar está tão poluído que é melhor não mergulhar. A cidade de São Paulo, todo mundo sabe, não tem mar. É uma velha brincadeira dizer que os shoppings são as praias do paulistano. Pois a prefeitura descobriu agora que existem 28 praias, ou melhor, shoppings, impróprios na cidade. Os problemas são vários. Em alguns casos, faltam documentos. Em outros, existem menos vagas de estacionamento do que o exigido pela lei. E tem até casos de shoppings que fizeram construções sem autorização. A prefeitura diz que as irregularidades não colocam em risco os frequentadores. É provável que seja verdade, mas não é disso que se trata. O problema é que São Paulo continua a crescer de maneira desregrada, contra as normas oficiais e sem a necessária fiscalização. É um absurdo que esses empreendimentos tenham sido autorizados a funcionar sem que cumprissem as exigências. É um desrespeito à cidade e ao consumidor. A diminuição da quantidade de vagas de estacionamento, por exemplo, causa problemas para todos. As irregularidades, na verdade, só começaram a ser alvo de ações da prefeitura após denúncias do jornal "Folha de S.Paulo". Há indícios de que estabelecimentos pagaram propina para poder abrir as portas. A acusação, porém, ainda não foi comprovada. É preciso que a prefeitura passe logo a limpo essa história. Não dá para varrer a areia da praia para debaixo do tapete.

Sampa, capital da violência

Alegria de paulistano dura pouco, assim como a de seus vizinhos na Grande São Paulo. Depois de uma década vendo os índices de violência caírem, ela volta a assustar a cidade e sua periferia. Na madrugada de quarta para quinta, o bicho pegou em Osasco, município a oeste da capital. Aproveitando o barulho dos rojões pela vitória do Palmeiras, um grupo de extermínio matou a tiros oito homens entre 22 e 46 anos. O comboio da morte, que tinha um carro e uma motocicleta, agiu rápido. Em menos de três horas, da 1h27 às 4h20, passou atirando por sete locais de Osasco. Segundo a polícia, só um morto tinha ligação com o crime. O secretário da Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto, atribuiu a matança a uma guerra entre quadrilhas de traficantes. Outra linha de investigação, muito mais grave, parte da possibilidade de que os atiradores fossem policiais mandando recados a bandidos. É muito cedo para sair apontando culpados, claro. Mas o clima de violência não para de piorar. Na noite de quinta para sexta, outras oito pessoas morreram em tiroteios com a participação de policiais militares em mais seis lugares, desta vez em São Paulo e Itapevi. Não há indício nenhum de relação com as mortes de Osasco. Por outro lado, parece cada vez mais evidente que a PM também está mais disposta a atirar para matar. Principalmente depois da morte de bandidos do PCC pela Rota na zona leste e da série de assassinatos e atentados contra PMs. Enfrentar a bandidagem é papel da polícia, ninguém duvida. Mas também não tranquiliza ninguém ver Sampa transformada em uma praça de guerra.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Camisa de 1 bilhão

Camisa do Corinthians bate R$ 1 bilhão e alcança nível europeu!!! Isto não acontece porque a maioria de seus torcedores está no estado mais rico do país? Da inglória experiência pela Série B ao título invicto da Copa Libertadores. O Corinthians estava atolado na lama da derrota e norteado pelo noticiário policial. Agora, se delicia com o saboroso mel da vitória. Neste meio tempo, o Alvinegro aprendeu a se organizar. Andrés Sanchez, Ronaldo Fenômeno e seus pupilos, deram nova cara ao clube. E além de conquistas, a marca corintiana também se fortaleceu: segundo estudo da empresa BDO RCS, o valor ultrapassa a incrível marca de R$ 1 bilhão. Deixando para trás os empacados rivais paulistas, os adversários de Minas e do Sul e os quatro grandes do Rio de Janeiro. A quantia bilionária é dividida entre alguns fatores: 51% da torcida, 27% de receitas e 22% de mercado. Esta notícia engrossa outras publicações de nível mundial sobre a potência do clube do Parque São Jorge e seu “valor de mercado”. Entre as 17 marcas mais valiosas pesquisadas pelo estudo, o total estimado chega aos R$ 5, 380 bilhões. Assim, o Timão representa pouco menos de 20% desta soma. Será que a camisa do Corinthians vale tanto porque a maioria de seus torcedores está no estado mais rico do país? O poder econômico do Timão o tornará a principal força do futebol nacional no futuro próximo? OPINE!!!

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Pancadaria na Paulista

Não é difícil imaginar muitos motivos para o prefeito Gilberto Kassab (PSD) insistir na proibição da comemoração dos torcedores na avenida Paulista: barulho, sujeira, confusão, trânsito, vandalismo e desrespeito com moradores, que nada têm a ver com festa exagerada de alguns torcedores dispostos a manchar a conquista da Libertadores. Mas a Paulista é uma via que já acolhe manifestações de todos os tipos, de protestos e marchas aos shows do Ano Novo. Por que o título mais importante do Corinthians nos últimos anos, que deixou a cidade em cli- ma de Copa do Mundo, não poderia ter es- paço também? Não seria o caso, claro, de permitir uma festa que fechasse a avenida. O próprio clube já tinha preparado uma festa no Sambódromo, local bem mais apropriado. Mas achar que todo mundo iria até a zona norte para comemorar uma vitória que aconteceu a cerca de 4 km da avenida Paulista foi muita ingenuidade. Deu no que deu. A Polícia Militar chegou às 2h à Paulista para expulsar cerca de 400 torcedores. Houve confronto e aquele triste cenário de sempre: pedras, bombas, balas de borracha. Ninguém é obrigado a aturar vândalos. Por isso mesmo, em vez de fingir que nada vai acontecer na Paulista, a prefeitura poderia preparar melhor a avenida para esse tipo de comemoração. Por exemplo: providenciar banheiros químicos, encher a avenida de policiais, planejar desvios de trânsito e segurar a onda dos arruaceiros. Em vez de simplesmente distribuir cacetadas, seria melhor dar mais segurança tanto aos moradores quanto aos torcedores de bem que querem celebrar ali a bela vitória do seu time.