segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

BOA VIAGEM SÓCRATES


Sócrates se despediu do Corinthians num jogo contra o Vasco em Juazeiro, terra de Padre Cícero.
O Corinthians saiu de São Paulo e o avião, fretado, pegou a delegação do Vasco no Rio. A parada técnica foi em Salvador.
Não havia mais cerveja a bordo e o uísque a gente tomava o do empresário, um cara baixinho com forte sotaque nordestino que levava dezenas de garrafinhas em uma bolsa.
Havia um grupo próximo de onde eu estava sentado. Casagrande, os radialistas Oswaldo Maciel e Loureiro Junior e o Magrão, ele mesmo, Sócrates.
Muita piada, risada e, é claro, enchemos a cara.
Quando chegamos a Juazeiro, havia mais de cinco mil pessoas na pista. Na pista mesmo, porque era inauguração da própria para jatos maiores como o nosso e nada de proteção, aquela coisa.
Sócrates não queria descer primeiro e me disse. “Você sai comigo que eu não vou sair com a cara pra esse povo todo”. Saiu comigo, os dois meio que mamados.
Depois fomos visitar algumas fazendas, que era para agradar os patrocinadores da festa, digo, do jogo. E voltamos todos tarde da noite. Sentamos-nos para conversar, ouvir Oswaldo Maciel cantando, com Casagrande fazendo ritmo na caixa de fósforos. Sócrates sentado ao lado do dono do Hotel. E ele dizia: ”companheiro, sua filha é maravilhosa”.
E o cara olhava e ria. E Magrão insistia: “sua filha é maravilhosa”.
Depois de dizer aquela frase algumas vezes, o dono do Hotel, rindo muito, resolveu responder direito. ”Doutor, essa não é minha filha, é minha mulher”.
Foi uma risada só e fomos todos dormir.
De cara cheia, é claro.
No outro dia ele foi um dos melhores do jogo.
Fica esta história, como minha homenagem ao Magrão, que eu continuo amando.
Que você tenha uma boa viagem, Doutor.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Terra de Ninguém

Madeira!
Não bastassem os perigos que se conhecem, como assaltos e alagamentos, pouco a pouco São Paulo vai tomando conhecimento de um novo risco: as árvores.

Pode parecer fantasia, mas não é. Uma vistoria da prefeitura em 17 mil delas mostrou que cerca de 2.000 estavam podres.

Resultado: tiveram de ser derrubadas para que não caíssem sobre carros, pedestres ou fios.

Apesar de muita gente achar a cidade "cinza", há em São Paulo 1 milhão de árvores. O problema é que não se sabe quantas delas estão saudáveis e quantas representam riscos à população.

Se a proporção for a mesma do pequeno grupo analisado pela prefeitura, seriam 100 mil árvores com chance de desabar, como aconteceu nesta semana, aliás, no Morumbi, quando um galho caiu sobre um carro.

No ano passado, 970 árvores vieram ao chão, segundo estimativa do Corpo de Bombeiros. Muitas tombaram sobre veículos e pessoas, mas podem também atingir a rede elétrica, causando apagões.

A prefeitura tem procurado cumprir seu dever. Só neste ano, seus técnicos atenderam a 48 mil chamados e podaram mais de 6.000 árvores. Mas é possível fazer mais.

Uma boa iniciativa seria dar prioridade às mais antigas, com mais riscos de causar problemas. Treinar funcionários de outras áreas para avaliações menos complexas sobre o estado das árvores também poderia ajudar.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

O importante é ser feliz

Chama a atenção o aumento de 37% de um ano para o outro no número de divórcios no país.

Mas por trás disso está uma notícia que não é ruim: a quantidade de casos só deu um salto porque uma mudança na lei tornou mais fácil desfazer as relações de casais que já não queriam manter o matrimônio.

Aqui cabe uma explicação da diferença entre separação e divórcio: no primeiro caso, acabam os compromissos perante a lei, mas não é permitido um novo casamento civil.

No segundo, os dois podem casar de novo com outras pessoas.

Até julho do ano passado, só era possível pedir o divórcio depois de um ano de separação formal --na Justiça ou no cartório-- ou dois anos de separação de fato --quando o casal deixa de viver junto.

Agora, desde que não tenham filhos menores de 18 anos e seja de comum acordo, o divórcio sai na hora.

É claro que quem casa pensa em ser feliz para sempre. Mas a vida é cheia de surpresas. Por isso, é bom refletir antes de assumir um compromisso como o casamento.

Mas, se a relação realmente não funcionar, não tem jeito --é melhor acabar do que criar uma situação falsa e hipócrita.

As estatísticas mostram que o aumento do número de divórcios foi acompanhado pelo crescimento da quantidade de casamentos.

Talvez justamente porque tenha ficado mais fácil romper o relacionamento anterior e buscar uma nova chance de ser feliz a dois.

Quanto vale o ingresso?

Quanto vale o ingresso?
Recentemente acompanhei a indignação de muitos colegas e amigos com relação à atitude condenável do engodo na revenda de ingressos, ou seja, ganhar as custas do desespero alheio cobrando valores absurdos pela mais nova relíquia alvinegra.

Todos sabem, mas vale repetir, só tem ingresso quem é Fiel Torcedor, comprou o restante dos ingressos pela internet e vai retirar no final de semana nas bilheterias ou tem cortesia da diretoria.

Nem os menores de 12 e os maiores de 65 anos não pagantes (Lei Municipal 11.256/92) poderão entrar, pois o Estatuto do Torcedor (Lei Federal 10.671/03, artigo 23), obriga o clube mandante a não permitir a entrada de mais torcedores do que a capacidade do estádio e como todos os locais estão esgotados, nada de entrada gratuita.

Alias, nem os profissionais do esporte, aqueles que se perfazem com suas carteirinhas de jornalistas com entrada franca, se não estiverem cadastrados, poderão entrar.

Sem acesso dos barrados no baile, sobram os cambistas, cujo ingresso comercializado tem enormes chances de serem FALSOS e seus compradores ficarem de fora da festa, sem ter com quem reclamar a não ser com suas próprias lamentações.

E quem não quer ficar fora da festa? Nessas horas, vale tudo: participar de promoções nas redes sociais, comprar produtos na Poderoso Timão, Ligar na Rádio Coringão, falar com aquele amigo que você não fala tem alguns meses ou até alguns anos… tudo por um ingresso pelo amor de Deus e a que preço? Possivelmente algo entre 5 a 10 notinhas de garoupa.

Relações de consumo são assim, lei da oferta e da procura, afinal terá sempre o torcedor que não vai o ano todo, economiza todos os ingressos, dinheiro do lanche, transporte e estacionamento para descarregar tudo na oportunidade de andar na janelinha e terá sempre o torcedor que terá o ingresso sobrando pois comprou a mais ou tem dependentes no Fiel Torcedor e sabia que isso aconteceria.

Condenável? Sim, assim como quem consegue uma camisa de jogo, com a assinatura do titular da camisa e revende por 5 vezes o valor de uma camisa normal, afinal poderia aplicar a mesma “idéia” de consumo dos ingressos.

Entenda, não sou a favor, só não sou hipócrita de acreditar que “o bom torcedor compraria ingresso a mais para vender pelo mesmo preço”, sério, tem que ser mais do que amigo, tem que ser irmão! Esse sim, aceitaria a tal cerveja de bonus pelo tão cobiçado ingresso… alias, cervejinha não, pelo menos um pacotão de engradado, com churrasco e o escambau, pois vai vacilar assim pra comprar ingresso lá em Arthur Alvim (pra não ter que falar palavrão).

O Corinthians conseguiu algo que parecia pouco provável de acontecer, mas em pouco mais de 4 anos de Fiel Torcedor, chegou até uma final de campeonato e comercializou quase todos os ingressos sem tumulto, sem filas, sem problemas… digo, claro que teve lentidão no site, claro que teve gente que não concluiu a compra, que teve algum tipo de contra-tempo, mas comparado com situações anteriores, melhorou absurdamente e, por enquanto, manteve os cambistas longe e os torcedores modinhas mais longes ainda.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

EU ADORO VOAR!

Já escondi um AMOR com medo de perdê-lo, já perdi um AMOR por escondê-lo.
Já segurei nas mãos de alguém por medo, já tive tanto medo, ao ponto de nem sentir minhas mãos.
Já expulsei pessoas que amava de minha vida, já me arrependi por isso.
Já passei noites chorando até pegar no sono, já fui dormir tão feliz, ao ponto de nem conseguir fechar os olhos.
Já acreditei em amores perfeitos, já descobri que eles não existem.
Já amei pessoas que me decepcionaram, já decepcionei pessoas que me amaram.
Já passei horas na frente do espelho tentando descobrir quem sou, já tive tanta certeza de mim, ao ponto de querer sumir.
Já menti e me arrependi depois, já falei a verdade e também me arrependi.
Já fingi não dar importância às pessoas que amava, para mais tarde chorar quieta em meu canto.
Já sorri chorando lágrimas de tristeza, já chorei de tanto rir.
Já acreditei em pessoas que não valiam a pena, já deixei de acreditar nas que realmente valiam.
Já tive crises de riso quando não podia.
Já quebrei pratos, copos e vasos, de raiva.
Já senti muita falta de alguém, mas nunca lhe disse.
Já gritei quando deveria calar, já calei quando deveria gritar.
Muitas vezes deixei de falar o que penso para agradar uns, outras vezes falei o que não pensava para magoar outros.
Já fingi ser o que não sou para agradar uns, já fingi ser o que não sou para desagradar outros.
Já contei piadas e mais piadas sem graça, apenas para ver um amigo feliz.
Já inventei histórias com final feliz para dar esperança a quem precisava.
Já sonhei demais, ao ponto de confundir com a realidade... Já tive medo do escuro, hoje no escuro "me acho, me agacho, fico ali".
Já cai inúmeras vezes achando que não iria me reerguer, já me reergui inúmeras vezes achando que não cairia mais.
Já liguei para quem não queria apenas para não ligar para quem realmente queria.
Já corri atrás de um carro, por ele levar embora, quem eu amava.
Já chamei pela mamãe no meio da noite fugindo de um pesadelo. Mas ela não apareceu e foi um pesadelo maior ainda.
Já chamei pessoas próximas de "amigo" e descobri que não eram... Algumas pessoas nunca precisei chamar de nada e sempre foram e serão especiais para mim.
Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre.
Não me mostre o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração!
Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente!
Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com os pés no chão.
Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra SEMPRE!
Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes.
Tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco q eu vou dizer:
- E daí? EU ADORO VOAR!

De volta à barbárie

Só pode ser definido como barbárie o linchamento do motorista de ônibus Edmílson dos Reis Alves, 59 anos, que momentos antes havia perdido o controle do veículo, atropelado um jovem e batido em seis carros.

O motorista foi vítima de um mal súbito, e o jovem atropelado teve o pé fraturado, mas não corre risco de morte. O incidente, todavia, tornou-se uma tragédia.

Cerca de 40 frequentadores de um baile funk próximo viram a cena e partiram para cima do condutor.

Talvez influenciados pela recente onda de motoristas embriagados que se envolvem em acidentes, acharam que ele estava alcoolizado e passaram a espancá-lo até a morte.

Passageiros e a cobradora ainda tentaram conter a multidão enfurecida, que não deu ouvidos e continuou na covardia.

Antes de tudo, é importante deixar claro que nada justifica linchamentos. Mesmo que o motorista tivesse ingerido bebida alcoólica, a ação continuaria a ser inaceitável.

Foram necessários milhares de anos de evolução para chegar ao estágio atual da civilização, no qual existem a polícia para deter suspeitos e Justiça para punir culpados. Querer fazer justiça com as próprias mãos é coisa de brucutu, uma volta à Idade da Pedra.

Chama a atenção que um crime desses tenha acontecido não em algum grotão esquecido nos confins do país, mas em São Paulo, a cidade mais rica e desenvolvida.

O linchamento é um crime de difícil punição, porque é quase impossível determinar quem afinal deu o golpe fatal.

Mas a polícia tem de fazer de tudo para mostrar a esses justiceiros que eles não estão acima da lei.

Diploma picareta

Chegar à faculdade é o sonho de muita gente. É uma conquista que quase sempre se traduz em emprego com chance de salário melhor no futuro.

Mas, como as melhores instituições públicas têm um vestibular concorridíssimo, resta prestar para faculdades particulares. É o que muitos brasileiros fazem, em geral com sacrifício, pois as mensalidades são altas e nem sempre é possível obter uma bolsa.

O mínimo que se espera, portanto, é que as faculdades particulares tenham um nível decente de ensino. Infelizmente, como se sabe, nem sempre isso acontece.

O Ministério da Educação faz avaliações periódicas de alguns cursos, como medicina, direito e pedagogia, justamente para saber como vai a qualidade. Se for mal, o governo pode determinar cortes no número de vagas oferecidas.

Nesta semana, isso aconteceu com cursos de enfermagem e farmácia. O ministério fechou mais de 600 vagas em faculdades na cidade de São Paulo porque os cursos são muito ruins. Se não melhorarem, podem ser fechados de vez.

Em junho, já haviam sido cortadas 11 mil vagas em faculdades de direito em todo o país, pelo mesmo motivo.

O governo faz bem em punir as instituições picaretas. Um curso fraco pode prejudicar o futuro profissional dos estudantes.

É de esperar que essa pressão sobre as instituições se traduza em melhorias. Afinal, a meta é educar e não distribuir canudos de papel.