domingo, 6 de maio de 2012

Vivendo e aprendendo

Consumir, mas com cautela Na hora de comprar, parece fácil. O carro zero, a geladeira, a cozinha nova e o computador ganham sempre uma imagem tentadora nos anúncios, e as prestações parecem tão fáceis de pagar. Quando vê, o consumidor já se endividou mais do que poderia. Ainda mais porque, como todos sabem, o gasto no cartão de crédito nunca dói na hora. Está certo que o governo federal está fazendo os juros baixarem, e as mudanças na caderneta de poupança podem ajudar nesse objetivo. Só que, mesmo com uma diminuição nas taxas oficiais, o brasileiro continua pagando muito pelas dívidas que faz nas lojas. Tem crescido, nos últimos meses, o número das pessoas que já não conseguem cumprir com suas obrigações financeiras. Na corrida para não ficar com o nome sujo, há quem entre (para nunca mais sair) na armadilha do "crédito na hora" e da agiotagem. É preciso ter muito cuidado com esse tipo de coisa. De um lado, a economia só funciona se houver consumidores para novos produtos. Os juros mais baixos, ao facilitar as compras, ajudam a manter as fábricas em marcha acelerada. Por outro lado, isso leva ao endividamento das pessoas. Se elas não conseguirem pagar, vira um dominó, que vai derrubando lojas, fábricas e os próprios bancos. Para compensar os calotes, eles acabam aumentando os juros. Na economia, não existe mágica nem ilusão. O sistema só funciona quando cada pessoa mantém a cabeça fria, sem se entusiasmar com facilidades enganosas. Consumir, claro, é muito bom. Mas sempre com cautela. --------------------------------------------------------------------- Virada da paz Criada em 2005, a Virada Cultural transformou-se nos últimos anos num megaevento da cidade. Atrai paulistanos e também turistas de vários pontos do país. Com público estimado em 4 milhões de pessoas e cerca de mil atrações espalhadas por 114 locais, o evento deste ano, que começa hoje, promete. Será o primeiro, aliás, a ocupar a área da cracolândia. DJs vão animar a festa nas ruas que antes ficavam quase sempre bloqueadas por traficantes e viciados. O grande barato dessa fantástica maratona de música, teatro, arte e dança é que em geral ela transcorre em paz, sem acidentes ou tumulto de maior gravidade. É uma façanha, quando se pensa na quantidade de gente que circula para lá e para cá pelas ruas do centro. O clima pacífico, no entanto, vem sendo ameaçado por gente que não se segura e ultrapassa os limites. Álcool e drogas são os fatores que mais contribuem para que isso aconteça. Nas últimas edições da Virada chamou a atenção a venda, a rodo, do tal de "vinho químico". É uma mistura de álcool comum com corante e groselha. Um veneno. O teor da bebida é de 96%. Para se ter uma ideia, a gradação do vinho normal é de 13%. Na Virada do ano passado, 23 locais que vendiam o vinho químico foram fechados pela polícia. Na festa que começa hoje, policiais militares e guardas-civis à paisana vão se infiltrar na multidão para impedir a comercialização de drogas e do vinho químico, que é ilegal. É o tipo de cuidado que a prefeitura precisa ter para que a Virada continue a ser uma diversão saudável para todos.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

SE CORRER O BICHO PEGA

Por que a poupança vai mudar O governo federal está decidido a baixar os juros, o que é bom para todo mundo. Para continuar baixando, no entanto, esbarrou no problema da poupança. A caderneta é a aplicação preferida do brasileiro porque é simples e garantida. O cidadão põe seu dinheiro ali e conta que todo mês vai render 0,5% mais a TR (uma taxa calculada pelo governo). Dá um pouco mais de 6% no ano. O problema é que o governo trabalha com uma outra taxa de juros, a tal de Selic, para corrigir o valor que toma emprestado dos bancos. Ela é importante também para controlar a inflação: sempre que os preços sobem demais, o governo aumenta a Selic para "esfriar" a economia, como se diz. Quanto mais alta essa taxa básica de juros, mais difícil fica comprar por crediário, por exemplo. Os empresários também encontram mais dificuldades para financiar máquinas e aumentar a produção. O problema agora é que esses juros caíram para 9% ao ano e chegaram perto demais do rendimento da poupança. Os grandes investidores poderiam desistir de emprestar ao governo para deixar a grana na poupança. O resultado é que a presidente Dilma Rousseff e o Banco Central não poderiam continuar cortando os juros. A saída foi reduzir um pouco o rendimento da caderneta. Mas atenção: só das contas e depósitos novos. Para o dinheiro que já está lá, vale a correção antiga. A regra nova é meio complicada, mas se for o preço a pagar para que os juros caiam, é melhor assim. Cabe agora ao governo explicar muito bem a mudança, para ninguém ficar com a pulga atrás da orelha. ------------------ Vai de ônibus ou de trem? Nos últimos cinco anos o uso de metrô e trens metropolitanos aumentou muito mais em São Paulo do que o de ônibus. Essa mudança pode ser explicada principalmente pelo fato de o transporte sobre trilho ser mais eficiente e previsível. Quando se pega trem ou metrô é possível, se tudo correr bem, ter uma previsão do tempo de viagem. Em geral, menor do que o que se gasta num ônibus. Ou muito menor, se for dia de chuva e engarrafamento. São Paulo tornou-se nas últimas décadas um péssimo exemplo. Deu força para o automóvel e deixou de lado o transporte coletivo. É uma fórmula infernal, que deu em trânsito engarrafado e falta de opções. Nos últimos anos, porém, novas linhas de metrô foram inauguradas, os trens da CPTM (apesar das constantes falhas) deram uma melhorada e foi criado o Bilhete Único. O resultado é que desde 2006 o número anual de passageiros transportados subiu 63% na CPTM, 44% no metrô e só 13,3% nos ônibus. O fato é que as pessoas só vão de ônibusse não der pra pegar trem ou metrô. Quan-do dá pra trocar, todo mundo desce na pri-meira estação. Para que o ônibus possa cumprir seu papel e reconquistar a preferência do paulistano, é preciso construir corredores com plataformas maiores, para facilitar o embarque dos passageiros. Faltam também locais de ultrapassagem, que permitam desenvolver mais velocidade, pois um coletivo não precisaria mais esperar que termine o embarque no que vai na frente dele. O prefeito Gilberto Kassab bem que prome-teu fazer 66 km de corredores na atual gestã

quinta-feira, 3 de maio de 2012

As maiores receitas do Brasil em 2011 qui, 03/05/12 Atlético-GO, Botafogo, Corinthians, Coritiba, Cruzeiro, Figueirense, Flamengo, Fluminense, Grêmio, Internacional, Náutico, Palmeiras, Ponte Preta, Portuguesa, Santos, São Paulo, Vasco Terminou o prazo para que os clubes brasileiros apresentem seus balanços e demonstrativos financeiros – ainda que alguns não o tenham publicado. De todo modo, foram delineados os contornos para o ranking de maiores receitas entre os atuais integrantes da Série A: 1) Corinthians – R$ 290 milhões 2) São Paulo – R$ 224 milhões 3) Santos – R$ 189 milhões 4) Internacional – R$ 188 milhões 5) Flamengo – R$ 184 milhões 6) Palmeiras – R$ 146 milhões 7) Grêmio – R$ 142 milhões 8 ) Vasco – R$ 136 milhões 9) Cruzeiro – R$ 128 milhões 10) Fluminense – R$ 80 milhões 11) Coritiba – R$ 66 milhões 12) Botafogo – R$ 58 milhões 13) Figueirense – R$ 40 milhões 14) Portuguesa – R$ 21 milhões 15) Ponte Preta – R$ 16 milhões 16) Atlético-GO – R$ 15 milhões Atlético-MG, Bahia, Sport e Náutico não apresentaram seus balanços – nem responderam aos contatos – podendo ser incluídos na lista posteriormente. Logo de cara, percebe-se que poucas vezes o futebol paulista fez valer seu poderio econômico como no ano que passou. As três primeiras posições pertencem a clubes do estado – quatro entre os seis maiores. Evidentemente, o destaque vai para o Corinthians, que arrecadou apenas R$ 10 milhões a menos que a CBF. O repasse de direitos federativos e os novos valores da TV tiveram papel primordial no incremento corintiano. O São Paulo, segundo colocado, também se fez beneficiar pelo apetite das transmissões televisivas. Seus R$ 224 milhões ainda se deram por conta do aumento nas cotas de patrocínio e aluguéis do Morumbi. Em seguida o Santos (R$ 189 milhões) foi catapultado pela vitoriosa geração que inflou praticamente todas as contas do clube. Colados ao Peixe vem Internacional (R$ 188 milhões) – tradicional frequentador da parte de cima do ranking, e Flamengo (R$ 184 milhões). Enquanto o Colorado arrecadou mais com patrocínio e licenciamento, o clube de maior torcida do país basicamente cresceu em razão do televisionamento. – processo verificado por quase todos. Ainda na Gávea, houve crescimento na venda de jogadores, mas em patamar tão inexpressivo que não condiz com um clube de sua grandeza. Mais adiante surgem Palmeiras (R$ 146 milhões), Grêmio (R$ 142 milhões) e Vasco (R$ 136 mi). O bom ano cruzmaltino fez com que ele apresentasse uma das maiores altas, ao lado do Santos. Cruzeiro (R$ 128 milhões) e Fluminense (R$ 80 milhões) fecham as dez primeiras colocações. Neste último, a patrocinadora investe diretamente em contratação e salários por meio de uma empresa em separado (Unimed Participações), fazendo com que os recursos não passem pelo caixa do clube. Em décimo-primeiro, um surpreendente Coritiba e seus R$ 66 milhões, à frente do Botafogo (R$ 58 milhões), que arrecadou cinco vezes menos que o Corinthians. Apenas o repasse de atletas verificou bom crescimento em General Severiano, enquanto o patrocínio parece ter sido superdimensionado perante a mídia. Ainda assim, o alvinegro é a exceção que confirma a regra no adiantamento de cotas televisivas. Os R$ 40 milhões angariados em sua volta à elite fizeram do Figueirense o clube com maior salto em faturamento. Tendência que pode ser confirmada por Portuguesa (R$ 21 milhões) e Ponte Preta (16 milhões) ao longo de 2012. A propósito, o aumento no passivo levou o presidente da Macaca a proferir a seguinte pérola: “A dívida total da Ponte subiu de R$ 99,4 milhões para R$ 110,9 milhões. Felizmente, foi um dinheiro que trouxe resultado, já que subimos para a série A”. O Atlético-GO (R$ 15 milhões) encerra a lista. Por fim: em taxas atuais, o faturamento do Corinthians equivaleria a 115 milhões de euros – suficiente para colocá-lo na 20ª posição entre os clubes mais ricos do planeta, segundo levantamento da Deloitte:

A DEFESA GARANTE......VAI CORINTHIANS

Competente trabalho defensivo do Corinthians garante empate contra o Emelec. Cássio foi aprovado no primeiro teste Análise de jogos, Copa Libertadores Emelec 0×0 Corinthians O sistema defensivo corintiano jogou bem. Não posso dizer o mesmo sobre o desempenho do time com a bola. Falhou nos contragolpes, principal jogada contra o Emelec de postura bastante ofensiva. Willian apareceu pouco. Cássio mostrou segurança, firmeza, como exige o torcedor do Corinthians. O teste não foi dos mais complicados contra o frágil ataque do Emelec, porém deixou boa impressão. Jorge Henrique cometeu o pecado da ingenuidade na hora da expulsão. O resultado foi justo e mantém o favoritismo corintiano para chegar às quartas-de-final da Libertadores. Emelec: Dreer; Carlos Quiñonez; Achilier, José Quiñonez e Bagui; Valencia, Pedro Quiñonez, Gaibor (Mera) e Giménez (Mena); Mondaini (De Jesus) e Figueroa. Técnico: Julio Marcelo Fleitas. Corinthians: Cássio; Edenílson, Chicão, Leandro Castán e Fábio Santos; Ralf, Paulinho, Jorge Henrique, Danilo (Alessandro) e Emerson Sheik (Elton); Willian (Alex). Técnico: Tite. Árbitro: José Buitrago (COL) Assistentes: Abraham González (COL) e Wilson Berrío (COL) Pressão quase inútil O Emelec fez o que pôde para se impor. Marcou sob pressão cada lateral, zagueiro e volante corintiano na saída de bola. O meio-campo e laterais dos equatorianos atuaram adiantados. Os atacantes Mondaini e Figueroa, os dois são argentinos, iniciaram as tentativas de roubar a gorduchinha na frente. “Los Electricos” impediram que o campeão brasileiro ficasse com a redonda. O lateral Carlos Quiñónez e o meia Valencia, ambos na direita, e Óscar Bagui e Giménez, nas mesmas posições, mas do outro lado. participaram bastante tanto dos desarmes quanto da criação. Apesar de ser taticamente bem preparado, corajoso e muito guerreiro, na prática os anfitriões não ameaçaram o goleiro Cássio. O Mérito e o defeito do Corinthians A boa marcação corintiana fez a diferença. Não deixou espaços no meio. Os equatorianos, justamente por causa da boa disposição tática, estavam sempre próximos uns dos outros. Isso facilitou as tentativas de tabelas para superarem o bloqueio da equipe de Parque São Jorge. Foram todas em vão. Nunca ultrapassaram a a linha formada por Edenilson, Chicão, Castán e Fabio Santos. No 4-2-3-1 preparado por Tite, Jorge Henrique, na direita, e Emerson, na esquerda, atuaram na linha de três e acompanharam os avanços dos laterais adversários. Danilo, centralizado, também voltou para ajudar Ralf e Paulinho. Sem espaços, Emelec foi obrigado a a usar os lados e a apostar nos cruzamentos no intuito de balançar a rede. Na jogada aérea, de novo o Alvinegro levou a melhor em todas. Cassio, substituto de Julio Cesar, não foi testado no primeiro tempo. Faltou o contragolpe O Corinthians merece aplausos pelo trabalho defensivo na etapa inicial, e críticas por causa da inoperância ofensiva. Não há nada anormal em deixar o rival com a bola e atuar recuado. O problema corintiano foi não contragolpear. Jogadores para isso, tinha. Willian, que ganhou a posição de Liedson, Emerson e Jorge Henrique são velozes. Em especial o Sheik e o novo titular. Os contra-ataques, gosto de lembrar, são úteis para gerar insegurança no adversário que joga bem adiantado, ajudam a cavar cartões, silenciar os torcedores e muitas vezes terminam em gols. Jorge Henrique ajuda o Emelec A segunda parte do confronto começou diferente da anterior. Aos 4 minutos, o zagueiro Achiller ganhou uma bola por cima e obrigou Cassio a fazer a primeira defesa merecedora de destaque. Logo em seguida, Emerson, no contragolpe, quase fez 1×0. Ficou sem ângulo e o goleiro Dreer defendeu. Aos 7, Jorge Henrique levou o segundo amarelo porque parou o contragolpe do Emelec com falta. Havia levado outro, antes do intervalo,por causa de uma discussão tola. O bate-boca só interessava ao anfitrião. O atleta experiente precisava evitar a possibilidade de ser expulso. No minuto seguinte, o treinador do Emelec tirou Fernando Gaibor, que discutira com Jorge Henrique e estava ‘amarelado’, e colocou Mera. Queria evitar a tal ‘lei da compensação’, comum no futebol. Corinthians irritado Os jogadores corintianos ficaram irritados por causa da expulsão. Danilo deu um carrinho na bola, o soprador marcou falta, e levou amarelo de maneira injusta. Edenilson reclamou e também foi punido com o cartão. Aos 13, Alex entrou na vaga de Willian. Tite alterou o time para reforçar a marcação no meio e ajudar na manutenção da gorduchinha. Émerson ficou encarregado dos contragolpes O Emelec cresceu com um jogador a mais O Alvinegro continuou bem nos desarmes mesmo com 10 jogadores, porém sobrou um pouco mais de espaço no seu sistema defensivo. Aos 17, Valencia, em cobrança de falta, acertou o travessão. Aos 19, Marlon De Jesus, atacante, substituiu Mondaini. Cássio, aprovado no primeiro teste Aos 27, Figueroa recebeu bom lançamento e o goleiro foi preciso na saída do gol. Aos 34, Tite trocou Emerson por Elton. Aumentou a capacidade do time na jogada aérea e perdeu de vez a chance de contra-atacar. Deve ter se cansado de esperar o time contragolpear. Aos 39, Angel de Mena, que entrou na vaga de Giménez, finalizou em boa condição para fazer 1×0 e Cássio, seguro, defendeu Aos 40, Alessandro entrou na lateral-direita, Edenilson se posicionou como volante e Danilo saiu. Fechado, o Corinthians novamente deixou apenas os lados para o Emelec atacar. E Cássio, nos cruzamentos, mostrou a segurança que a grande parcela da nação corintiana cobrava de Julio Cesar. Favorito O resultado foi justo. O Corinthians é o grande favorito no confronto para seguir na Libertadores

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Programa de Índio

Programa de Índio Li que o Fernando Meirelles desistiu de filmar Grande Sertão: Veredas porque estava decepcionado com a bilheteria do filme Xingu, cuja produção assina. Pensei falar algo a respeito, mas antes quis ouvir o próprio Fernando, e o quê de fato ele tinha a dizer a respeito. Ele me escreveu a seguinte resposta: “Xingu foi selecionado para o Festival de Berlim e teve ótimas críticas na imprensa internacional. Isso nos animou. Quando começaram a sair as críticas no Brasil o tom também era muito animador e nas “sessões teste” que fizemos o resultado foi o mesmo. Com isso começamos a acreditar que o filme poderia cruzar aquela famosa barreira do milhão de espectadores, que significa chegar à todas as classes. Foi bastante frustrante ver os resultados do filme depois do primeiro final de semana em cartaz e constatar que apesar das salas lotadas e aplausos no final das sessões, nos cinemas que costumam ter programação menos focada em blockbusters, nas salas mais populares, nas cidades do interior e especialmente no Rio Grande do Sul, o filme foi mal. Nossa avaliação é que o tema não interessou. Ironicamente há uma fala do Janio Quadros no filme que comenta isso. Ele diz para o Orlando Villas Boas: "Ninguém gosta de índio no Brasil, Orlando." O curioso é que no site do filme há dezenas de comentários de gente que diz ter ido praticamente forçada ao cinema e saído encantada. Enfim, depois dessa surpresa e vendo a lista de filmes que fazem grande público no Brasil, fiquei extremamente desmotivado em embarcar no projeto que estava planejando para o ano que vem, uma adaptação de Grande Sertão: Veredas, do Guimarães Rosa. Seria muito esforço para no final fazer apenas 300 mil espectadores. Nesta semana resolvi tirar o time de campo. Preciso ressaltar que acho extremamente positivo o fato de muitas comédias estarem fazendo um grande público no Brasil. Isso forma platéia para o nosso cinema, movimenta, banca e profissionaliza nossa industria. Diria até que estas comédias são a bóia-salva-vidas do nosso cinema, só não tenho interesse pessoal em fazer este tipo de filme. Nos próximos meses vou me dedicar ao lançamento de 360 e a filmagem do próximo longa que começa em setembro na Inglaterra. Mais um filme internacional. Esta por enquanto tem me parecido uma opção mais segura, ou ao menos, menos dolorosa.” Isso foi o que o Fernando Meirelles disse. Ele que desde que Cidade de Deus ganhou o mundo, fez longas fora, concorreu ao Oscar, entrou para o clube seleto dos que filmam o que quiserem, onde quiserem. Mesmo assim, manteve o prumo alinhado com o Brasil. Produziu filmes de outros diretores, alguns iniciantes, e produções de porte, como Xingu. Mas agora, cansou. Como é um sujeito elegante, ele diz que “as comédias são formadoras de público, etc, etc”. Na verdade, digo eu então, trata-se de um público acomodado, viciado na rasa dramaturgia televisiva imiscuída há décadas no seu dia a dia. E o poder é de quem consome, se tem procura, tem oferta. E a oferta é abundante, por todos os lados há sempre alguém pronto para entregar o fast food cultural que público parece desejar. É fácil. Lucrativo. As crianças gostam. A família se alegra. Nem dá para sentir o gosto de veneno.

ASSIM CAMINHA A HUMANIDADE

De noite, cadeia; de dia, leis Muita gente gostaria de ver os políticos na prisão. Em Ponta Porã, município de Mato Grosso do Sul, o sonho virou realidade. Só que parece um pesadelo. O vereador Joanir Subtil Viana, do PMDB, foi eleito em 2008, com 1.111 votos. No ano seguinte, a Polícia Federal descobriu nada menos que 93 kg de cocaína numa fazenda dele, lá na fronteira com o Paraguai. O vereador terminou condenado a mais de 14 anos de prisão. Tratava-se, segundo o Ministério Público, de "grande articulador da aquisição e da venda de carregamento de cocaína". Ele ficou um tempo preso, em regime fechado. Mas acabou recebendo o benefício do sistema semiaberto: permanece em liberdade durante o dia, mas tem de se recolher diariamente ao presídio, às 20h. Até aí, tudo bem. É um benefício que a lei garante aos condenados. Acontece que, estando livre de dia, Joanir Subtil Viana voltou a exercer suas funções na Câmara Municipal. Isso mesmo: ninguém se lembrou de cassar o mandato do homem quando ele foi condenado. Deram-lhe uma licença para "tratar de assuntos pessoais". Agora que os assuntos estão mais ou menos "tratados", ele dorme na prisão e, durante o dia, faz leis. Acharam cocaína em suas propriedades. Cem quilos de uma droga como essa nada têm de sutil. "Mas, pelo menos", o vereador-presidiário sul-mato-grossense poderia dizer, "não me pegaram enfiando dinheiro de propina no bolso". Sempre dá para caprichar na sutileza um pouco mais. -------------------- Violência em números Alegria de paulista dura pouco. Quando a gente já começava a se animar com a queda nos números de violência, eles voltaram a subir. Veja o caso dos assassinatos cometidos com a intenção de matar, os tais "homicídios dolosos". Nos primeiros três meses deste ano, tiveram aumento de 7,1% no Estado de São Paulo, em comparação com os assassinatos cometidos de janeiro a março do ano passado. Algo parecido aconteceu com os roubos: foram 4,1% a mais. Só nos latrocínios (roubos seguidos de morte) houve diminuição, de 2,4%. Apesar de pequenas, essas variações preocupam. É pouco ainda para concluir que a tendência de melhora acabou, mas todo mundo ficaria mais tranquilo se os números da violência continuassem caindo sem parar. Era o que vinha acontecendo há vários anos. Entre 1999 e 2005, por exemplo, a queda foi bem rápida. Passamos, no Estado, de uma taxa de 35,3 homicídios por grupo de 100 mil habitantes para a metade disso, 17,7 por 100 mil (os especialistas preferem apresentar os dados assim porque fica mais fácil de comparar um ano com o outro, mesmo quando a população aumenta). No ano passado, então, a situação ficou ainda melhor. São Paulo registrou em 2011 a taxa bem razoável de 10 assassinatos por 100 mil. Um excelente notícia, em especial quando se leva em conta que é menos da metade do índice nacional, 25 por 100 mil. Mas nos Estados Unidos e no Reino Unido, dois países mais ricos e desenvolvidos, a taxa é muito menor: fica em torno de 5 por 100 mil. Temos muito trabalho pela frente. Mas parece que a polícia paulista vai ter de fazer mais força para impedir os bandidos de aterrorizar a população.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Faz 18 anos e parece que foi ontem.

Todos temos em nossas retinas a imagem da Williams saindo reto e batendo na Tamburello, naquele funesto 1º de maio de 1994. Ainda ressoa em nossos ouvidos aquele “Senna bateu forte!”, bradado por Galvão Bueno. A imagem acima, que ilustra este texto, é uma aquarela do artista lituano Oleg Konin. A imagem que gostaríamos de ter visto. Reginaldo Leme escreveu uma crônica brilhante e obrigatória na mais recente edição da “Revista Alfa”, projetando a carreira de Ayrton Senna se ele tivesse saído do cockpit sem sequelas. Com a propriedade de quem completa sua 40ª temporada cobrindo Fórmula 1, Reginaldo nos conduz com riqueza de detalhes em um texto sensível, imaginando um futuro ainda mais vitorioso para Ayrton, e tudo o que viria à reboque, incluindo os destinos de outros pilotos, como Schumacher e Barrichello. Não vou dar detalhes do texto de Reginaldo, pois reitero a recomendação de sua leitura, apenas adianto uma análise que acho plenamente possível, quando ele menciona disputas entre Schumacher e Barrichello – não na Ferrari –, mas na McLaren. E seriam disputas sem ingerências, pois a equipe sempre deu “carta branca” a seus pilotos, a exemplo do que fez com o próprio Senna quando este rivalizou com Prost. E também entre Alonso e Hamilton. E agora, com Hamilton e Button. E Senna encerrando sua carreira na Ferrari, como era seu sonho pessoal. Cada um de nós, gostando ou não de Fórmula 1, conhecendo mais ou menos do assunto, tem uma ou mais opiniões, na base do “se”. Quantos títulos mais Ayrton Senna teria conquistado? Quanto peso a menos Barrichello teria carregado nos ombros sem a pressão desmedida que teve de suportar a partir do instante em que Ayrton deu o último suspiro? E Schumacher? Teria conquistado menos títulos? Senna o teria vetado na Ferrari, se por lá chegasse antes do alemão? E o automobilismo brasileiro? Teria tido mais apoio, formado mais pilotos e motivado mais patrocinadores para levar os garotos a correr na Europa? Nossos autódromos estaríam em melhores condições? E as arquibancadas mais cheias? E Bruno Senna? Chegaria antes à Fórmula 1 e por outra equipe, que não a incipiente Hispania? Por amor, talvez, Ayrton aconselhasse o sobrinho a abrir mão do sobrenome, evitando um ônus desmedido, afinal as portas teríam sido abertas do mesmo jeito, sobretudo na McLaren e na Honda. Será que o octógono do UFC teria conquistado tanto espaço na mídia brasileira se as pistas continuassem a nos dar títulos? Você, certamente, tem algo a dizer, se Ayrton Senna tivesse espanado a poeira do macacão e saído incólume daquele carro. E nos explicasse, de uma vez por todas, o que de fato o fez bater naquele muro.